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O que dizer? Sem ele, não dá. Ah, essa arte que insiste em me rodear. Uma forte dose romântica num pedaço de poesia, baseado num conflito deleitável. Toda arte em um suspiro. A adrenalina de entrar num palco tomando conta de outros corpos, outras mentes, outras roupas. Respiração afetada. Momento sui generis!!! Coração saindo pela boca. Domínio de um par de idéias sublimes, selecionadas a dedo com muita cautela.

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Sinto falta do suor na pele, percorrendo mais especificamente as minhas mãos, por um medo imaturo que me guiava à pré-concepção de uma quimérica tragédia antecipada da minha auto-exposição. Era, e jamais deixou de ser a principal motivação dessa insigne paixão: o desafio do happening. Mergulhar de cabeça em palavras, direções, idéias, concepções, objetivos… Ah, eu não troco, não! Improvisar duas ou três situações inesperadas, se lambuzar em doces momentos de conexão com os meus caros companheiros de cena e todos os outros objetos ao meu redor, e ainda ter que segurar uma platéia rotativa, não é um trabalho simples. Contamos sempre com a sorte do bom humor de cada um, do clima lá fora, da atmosfera aqui dentro, das expectativas do garoto loiro sentado lá no canto, em peleja com as da moça ruiva aqui à esquerda. Expectativas essas que emanam mesmo em pensamento e na maioria das vezes, ambos se equivocam. Alguns se decepcionam, outros surpreendem-se. Como espectadora, aprendi a entrar num espetáculo sem pré-julgamentos. Aprendi também a enviar energias positivas aos atores, sabendo das dificuldades que enfrentamos nessa esplêndida jornada artística. Eles certamente correspondem às minhas manifestações, – eu sinto no peito a satisfação da gratidão. De fato, poucos são os que persistem nesse caminho que judia sem querer. Certamente a desistência não é decorrência da insuficiência de paixão pelo teatro, mas pela falta de oportunidades, falta de público, apreciação, e principalmente apoio financeiro. Me dá nojo ao preconceito sujo e repugnante que surge nas franzidas testas de espanto e nos olhos repelentes daqueles, através dos quais, confessamos o orgulho da nossa tão amada profissão.

Peço pouco, mas peço de joelhos ao chão. Nossa causa é tão integral e absoluta: Reflita… e VÁ AO TEATRO! Só isso! Não deixe essa arte tão bela tornar-se extinta! Leve seus filhos ao teatro, seus amigos, seus parentes. Se interesse pela importância da nossa história, dessa criatividade que permeia a sociedade e cada indivíduo em que nela vive. Que nasça um novo teatro para cada coração que ousar palpitar. De onde viemos e em que mundo vivemos hoje? Está tudo lá, na história do teatro, dos humildes atores que viraram ‘monstros’ consagrados ao longo da evolução. Eles, que contaram e ainda contam a história das nossas vidas. Esse círculo vicioso embaraçado numa piscina de emoções e sentimentos que ainda não compreendemos. Nós, seres pensantes, donos de um conhecimento tão vasto e ao mesmo tempo tão ínfimo, devemos perceber a incumbência da emoção e a consciência da nossa própria psicologia. A desenvoltura da improvisação, da linguagem corporal e a habilidade de se conectar com as pessoas ao nosso redor vale ouro, ainda mais nos dias de hoje. Não pode ser tão complicado assim. Ou talvez essa dificuldade seja a beleza de se apaixonar pela oportunidade de criar outros olhos, sentir outras pessoas, visualizar outras perspectivas, correr de si mesmo, gritar para o vazio e assumir nossas loucuras.

Hoje, num dia tão especial – e não apenas hoje, quero celebrar a longa vida do teatro, da performance, dos atores e de todas as pessoas envolvidas nessa homérica comédia! Desejo que o teatro seja parte infinita da minha alma, e que seja parte da vida das pessoas que me rodeiam. Que o amor pela arte da interpretação não morra jamais. Que o teatro seja acessível sempre, a todos, sem exceção. Obrigada por me fazer tão feliz! Sou grata, com todas as palavras que existem para expressar tão fascinante orgulho pelo teatro e pela escolha que fiz ao determinar minha carreira.

 

Parabéns TEATRO (pela sua existência)!

 

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