Vivi momentos interessantes desde a minha chegada. Logo nos primeiros dias, recebi um amigo de Cuiabá e acabei numa onda de turismo. Levei-o ao Getty Museum, Pasadena, Beverly Hills, San Diego, Long Beach, entre outros. Tivemos nossos minutos de silêncio, deitados entre gramados e coqueiros pensando na amizade. Com duas amigas do coração, visitei um lugar lindo chamado ‘Palos Verdes’, onde pude ver golfinhos brincando à costa do resort Terrânea. Na volta do passeio, um escuro pôr-do-sol nos pegou de surpresa, exibindo no céu, cores jamais antes vistas pelos meus olhos. Privilégio tamanho, que emocionar-se não foi difícil.

Outro dia, conheci Suzanne, uma senhora com histórias de vida para lá de cativantes. Ao contar sobre sua louca juventude, mencionou um episódio marcante em sua vida: Foi convidada a ser uma das atrizes de Fellini. Que bela inveja! Disse que foi uma experiência muito ousada. Eu acredito! O Fellini, como sabemos, não utilizava um roteiro de cinema. Ele simplesmente reunia cores, pessoas, ritmos e cenários. Minutos antes da gravação balbuciava uma frase ou outra para seus atores, na esperança de criar um diálogo orgânico e espontâneo. Afinal, criava. Filmava, e admiravelmente cada cena se transformava numa obra-prima! É, não é a toa que o cara virou um ícone na história do cinema. Tem gente que nasce com o dom mesmo!

Tive a honra de conhecer também uma artista plástica brasileira que vive aqui em Los Angeles, a famosa Rose Lobo. Seu repertório conta com a paixão pela cultura brasileira, o folclore, e os ritmos nordestinos. Suas obras são bem originais, como quase tudo que deriva do Brasil. Ela, como pessoa, é incrível, e tem um coração enorme. Espero que possamos nos frequentar por muitos anos!

Entre festas e andanças, conheci um produtor de cinema, uns diretores, especialistas em efeitos especiais, compositores dos filmes Avatar e O Curioso Caso de Benjamin Button, enfim… Aquela coisa de sempre. Quem não conheceu esses caras em Hollywood? Eu penso que, ao conhecê-los, talvez devesse me encher de euforia, mas… ehhh…  não mais. Passaram-se meus primeiros meses de Hollywood. A verdade é que essas profissões já estão batidas. Só acho que eles se desanimam quando não tiram um “Ohh” da minha boca. Enfim, não tiro o mérito deles. Pelo contrário, parabenizo, mas estamos no centro do mundo do entretenimento. Não é a mesma coisa que chegar em Barra Velha e conhecer o Brad Pitt. Aí sim eu ia tremer. Ou melhor, mesmo aqui, conhecendo o Brad Pitt acho que eu tremeria.

Além disso tudo, ainda pude comparecer à duas das minhas aulas sobre a técnica Chekhov. Cheguei na metade do curso, mas não está sendo muito difícil me adaptar. Estamos estudando um roteiro sobre o caso de Marilyn Monroe com JF Kennedy. Adivinhem quem serei? Pois é, ela mesma. Na última aula, tivemos que criar cinco movimentos para “descrever” a relação do meu persongem com o outro. Neste caso, o outro era uma cadeira, e eu deveria me relacionar com esta. Depois acrescentamos uma frase do texto para cada movimento. Descobri que nem sempre a palavra é a melhor forma de comunicação do homem. Aliás, não descobri, apenas gosto de me surpreender com obviedades!

Salvo os dias que me ocupo com as tarefas do Chekhov, viagens, encontros, etc, ainda preciso arranjar tempo para ir em busca de outra fonte de renda. Por enquanto estou confiante que em muito breve algo aparecerá. Não vou me preocupar [ainda]. Estou tranquila e sei que minhas linhas já foram escritas em grande estilo.