Não posso reclamar das minhas mais aproveitadas férias na Turquia, Dubai e claro, do meu formoso e incansável Brasil. Aprendemos tanto com viagens, que fechamos os olhos para a chegada do adeus de cada nação. Digo mais, minha vida É UMA VIAGEM (E que viagem!!!)

Quando foi que o mundo se tornou tão pequeno bem diante dos meus olhos – sem que eu percebesse? Enquanto um irmão vive do outro lado do globo terrestre, meus pais e irmãs se situam no sul do hemisfério onde eu me encontro. Pois aqui estou, rumo ao sonho americano [novamente]. Com relação à família, sinto que estamos tão próximos uns dos outros. Me refiro a uma conexão tão forte que anula qualquer quilômetro percorrido.

Não há dúvidas de que maravilhoso é poder escutar os corações palpitando bem pertinho, sentir a pele que guarda o mesmo sangue que o meu, poder piscar para as meninas dos olhos deles. No entanto, a globalização tornou tudo tão prático. Sim, eu sei que jamais poderão substituir a presença do ser amado, do toque e carinho. Mas também sei que poder vê-los, ouvir a respiração e prestar atenção às doces palavras de conforto através de máquinas criadas pelo homem, ameniza (e muito) a dor da saudade. Viva Jobs!

Ontem, no almoço de despedida, brindaram à segunda temporada da minha jornada. Palavras que vão além do esboço de um pensamento me fortificaram a alma. Alguém que eu quero muito bem achou engraçado o fato de que apesar de tantos destinos e incontáveis embarques de avião, é a primeira vez que dá frio na barriga. Para quem dificilmente se emociona, encheu os olhos de lágrimas e descrente de premonições, confiou-me seu sexto sentido. Talvez seja a hora de fazer as coisas acontecerem. Naquele momento, uma sombra negra cegou meus olhos, me calibrou de lágimas e senti uma presão na garganta. Tive medo e dificuldade para engolir a comida que eu mesma tinha pedido para a minha despedida. Penso que talvez seja este o “medo da liberdade”, pelo qual sonho desde criança. Parece contraditório, mas não é. Pensando bem, machuca, mas sempre, vale a pena.

Pela madrugada, arrumando as colossais malas que me acompanharam até o México, ouvi sussurros de orações e pude ver raios de luzes aleatórios preenchendo o vazio do meu quarto. Eu sei bem quem foi responsável por aquilo tudo. Olhava pra ela. Tentando esconder a dor no peito que insistia em torturar pedacinhos dos nossos corações, lentamente. Ela dobrava um vestido aqui, uma calça ali. Entre momentos de silêncio e outros de gargalhada, nos comunicávamos apenas com o olhar. Sempre foi assim, uma leitura integral uma da outra, na ausência de palavras.

Dentro daquele limitado espaço da bagagem, organizávamos tudo cuidadosamente. Tanto foi, que pouco coube. Devido ao grande volume de acessórios, tivemos que refazer tudo. Tiramos algumas roupas de dentro da mala. Recolocamos os presentes. E assim, repetidas vezes. Da última vez, ela colocou um sapato de cada vez, com muita calma. Deixou que o seu perfume penetrasse em tudo o que estivesse por perto. Com carinho, eu a imaginava com um desejo ridículo. Um desejo que, por um segundo, também foi meu: de fazê-la dobrar-se por inteiro, a fim de que coubesse entre as minhas roupas. Viesse comigo escondida, desaparecesse. Numa forma diferente, senti o tal medo novamente.

Chegamos ao aeroporto de Florianópolis em cima da hora de embarque. Embora minha mãe tenha sido rápida no gatilho, não tive tempo para libertar os habituais litros salgados da minha reserva de água natural, pela saudade antecipada. O clima chuvoso me remeteu aos dias de solidão, que ainda virão. Segurei com as duas mãos alguma coisa que achei difícil descrever. Trouxe as mãos próximo ao peito e fechei os olhos. Uma lágrima rolou, seguida de várias outras. Logo percebi que o tempo passa muito, muito depressa. Acredito ter segurado fragmentos de minutos do passado, o instante entre TUDO ou NADA.

Antes de ontem, uma garotinha catando conchinhas na praia do Costão. Ontem, uma adolescente preenchendo seus anseios com desejos e sonhos. Hoje, uma mulher, transformando esses sonhos, numa possível realidade.

Foram nove horas de São Paulo até a Cidade do México, expressamente destinadas à reflexão. Pensei na vida, nas coisas, nos momentos, nos amigos e nas oportunidades. A viagem foi tranquila até agora, sem muitos detalhes físicos. Muita filosofia e lembranças de manhãs peripatéticas da infância. Sigo alimentando a esperança de combater o lado escuro da independência. Hoje mesmo, entro em território americano. Em breve, saberemos mais detalhes das minhas experiências audaciosas pelo mundo Hollywoodiano. Bem-vindos novamente ao Blog das minhas Inspirações!