*Escrito (e não postado) do aeroporto de Los Angeles, rumo ao Brasil.

Malas prontas. Passagem na mão. Lá vou eu em outra viagem. Desta vez o destino é meu país natal, Brasil. Deixo aqui, como gostinho do passado, um trecho do e-mail que enviei à família quando troquei as praias de Santa Catarina, pra tentar o que supostamente conquistei em Los Angeles: uma idéia de mim mesma.

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Dentro do avião, sentada no estreito banco de classe econômica, exatamente ao lado da porta do banheiro, me pego pensando em todos os conselhos, momentos e orações que compartilhamos juntos durante o verão que passou. Passou correndo, voando, tão rápido que nem percebi e já estou seguindo rumo à uma nova etapa da minha carreira profissional. É incrível como cada hora da nossa vida se assemelha à uma batida no nosso peito. O pior disso tudo é que não recuperamos o tempo mal aproveitado e o relógio continua lá, dando suas infinitas voltas sem parar. Aliás, seria bom congelar no tempo. Pelo menos por alguns momentos, alguns minutos a mais. Agora só nos resta lembrar dos marshmellows na lareira, dos biscoitinhos amanteigados do papai, dos jantares fabulosos da mamãe, das piadas de humor negro em conjunto, das cavalgadas nas montanhas com o melhor senso de direção possível, dos passeios de bicicleta, dos piqueniques na praia do costão, das tardes adormecidas na Univali à espera do melhor professor do mundo, dos “pollitos” comendo pipoca ou recebendo um atendimento de primeira qualidade na cama, dos inúmeros filmes assistidos, das reuniões familiares. Enfim, lembranças que guardarei num cantinho especial, um lugar só de vocês, onde constam as minhas melhores memórias.

Penso que esta viagem não é como todas as outras. É uma decisão, que embora tenha sido planejada há anos, foi concretizada em apenas duas semanas, e espero ser para a vida toda. Talvez tenha sido melhor assim. Quando pensamos muito a respeito de alguma idéia, ficamos inteligentes demais para corer riscos e acabamos desistindo de sonhos. Por enquanto penso assim. Que venham as realizações dos vários sonhos que, um dia, sonhei.

Eu já tinha parado de chorar e relembrar o quão difícil é sentir a nostalgia da família reunida, os momentos de união, a sensível partida. Tive que escolher algum filme para ocupar minha mente, durante as nove horas de viagem que vinham pela frente. Ao olhar a seleção de filmes, me surpreendi com dois deles, que incrivelmente haviamos comentado ainda essa semana. O primeiro deles, era O último bailarino de Mao, que certamente me emocionei só pelo título, lembrando do Lud na China e da difícil jornada em busca da “liberdade”. É claro que o filme, assim como o livro, deve ter dado suporte a milhares de pessoas em busca da perseverança para a realização dos seus sonhos. A mensagem do filme é quase como o argumento permanente do pai: Quanto mais duro trabalharmos para alcançar nosso objetivo, mais rápido chegaremos onde queremos. É pra isso que vim e acredito ser esse o principal motivo da visita do Lud ao Brasil. “Um dia, se nos jogarem de cueca e calcinha na Turquia, espero não haver problema algum, porque nós vamos saber trabalhar e batalhar para poder sair de lá, ou fazer o melhor que tivermos em mente.” Afinal de contas, NO PAIN, NO GAIN, não é mesmo? Impossível deixar para trás os bons conselhos familiares.

O segundo filme também tem aquela idéia esplendorosa do sucesso de cinema americano, e passa a mesma mensagem que o primeiro. Tenho uma leve impressão de que a mãe ajudou o Oliver Stone a dirigir este filme, ou, ao menos escreveu o roteiro de Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme. Não é possível que tanta garra e muita, mas muita força na peruca tenha sido uma simples inspiração jovial, sem ter um mínimo toque de Milagritos. Era evidente o brilho no olhar ambicioso de um garoto batalhador, a começar do zero, e criar um império no mercado financeiro.

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Cumpri minha missão. Seis meses em Los Angeles. Hoje, voltando para casa, me pergunto: O que eu aprendi? Talvez seja difícil colocar em palavras. Tentaria, em último caso, utilizar termos como: Auto-compreensão, espiritualidade, amizade, conhecimento, visão panorâmica da profissão, noção de dificuldade, competitividade, ambições, criatividade, inspiração, amor e partilha. Enfim, parece banal, mas não é. Tenho certeza de que poucas são as pessoas que tiveram a honra de apreciar tais experiências. Eu poderia publicar um livro descrevendo cada termo dessas minhas condições durante este período, mas confio na liberdade de expressão dos meus leitores. Acredito que ao longo desse blog, pude desabafar e contar parte do meu novo mundo americano, e portanto, dicas suficientes para entender minha situação.

É difícil explicar ao certo o que exatamente me fascina nisso tudo. É um reconhecimento muito maior do que a fama, muito melhor do que o glamour, bem mais interessante do que o luxo das estrelas de cinema. Talvez seja o sabor da tentativa, o aprendizado sem fim. Não sei, mas me interessa, MUITO.

Os planos são inúmeros. A partir daqui, só eu posso escrever a minha história. Os caminhos pelos quais estou percorrendo, possuem vertentes, das quais assumo total responsabilidade. Daqui em diante posso me titular: ‘Mestre do meu destino e capitã da minha alma’.

Cheguei, MEU BRASIL! Aguarde!

 *Dia 13 de Setembro, volto aos Estados Unidos.