Meu final de semana foi extremamente cansativo, mas posso (FELIZMENTE) DIZER, QUE FOI MUITO BEM aproveitado.

Considerando meus últimos dias de California, tive que fazer um tour da minha quase-despedida com uma grande amiga daqui. Estivemos bastante ocupadas entre festas, passeios e algumas tentativas em cair no sono (sem sucesso).

Domingo, apesar de cansada, tive que “acordar” para ir ao meu último almoço com a Marjo-Riikka. Como eu, ela também vai fugir do verão americano para visitar a família e tentar escrever um roteiro cinematográfico. Ao contrário de mim, ela aterrissará na terrinha do Papai Noel, Finlândia, enquanto eu, volto para o Brasil (por poucos dias).

Durante o almoço conversamos sobre os mais diversos ofícios da carreira e a dificuldade de obter sucesso, como atriz, sendo estrangeira. Papo foi, papo veio. De repente, lembrei do blog, do último Artigo, e consequentemente, da audição que me fora concedida há quase duas semanas. Perguntei, sem querer importunar. Ela estava mastigando. Lembro exatamente do seu pedido: Uma salada Ceasar, com dois filés de salmão grelhados, e um chá gelado. Sei dizer que ela engoliu com dificuldade, tossiu e tomou um gole do chá. Me olhou surpresa e durante estes poucos segundos acompanhados por gestos de espanto, um blush natural coloriu minhas bochechas.

Segundos pareceram bons longos minutos. Não sabia ao certo se eu tinha dito algo errado ou se ela não queria dizer que eu não tinha sido chamada para o retorno. Eu realmente não sabia o que dizer. Esperei ansiosamente por qualquer som que cortasse o silêncio. Ainda recuperando-se do engasgo, ela posicionou uma das mãos no peito e a outra na minha frente, como um sinal, para que esperasse até ela melhorar. Até aí, minha mente já elaborava estratégias para sair correndo pelos fundos do restaurante.

Ela se desculpou. […]

Me olhou profundamente e perguntou: Eles não te ligaram?!

Inocentemente respondi que não. Ela achou aquilo tudo muito estranho e disse que de qualquer maneira eu deveria ir ao ensaio no dia seguinte, na segunda-feira, no mesmo lugar, às 16h. Ela falaria com o Diretor, porque afinal de contas, ela era NADA MAIS, NADA MENOS do que a Diretora de Elenco, ou seja: Quem escolhe os atores para o filme. Ignorância da minha parte pensar que ela estaria na audição treinando os atores, simplesmente. O Michael passaria para me buscar e eu não deveria me preocupar.

Um estado de alívio tomou conta do meu corpo.

(“UFA” com letras maiúsculas!)

Saímos do restaurante e fomos assistir a peça do Michael.

Segunda-feira, 15:15: Michael buzina.

Colocamos o endereço no GPS, fomos conversando, tranquilos. Costuramos o trânsito, etc. De repente, faltando 15 minutos para o início da audição, guiados pelo GPS, saímos na entrada de Culver City. Meus instintos se manifestaram e acusaram o erro total do caminho. O Michael conferiu o endereço e deu créditos à minha razão. Estávamos do outro lado da cidade, sem quaisquer resquícios de referências sobre que rua poderia satisfazer nosso (até então) desespero em chegar ao destino final.

Para ser mais breve em relação à pressa para chegar lá, conquistamos nosso objetivo com 40 minutos de atraso. Que reputação, hein? Callback com 40 minutos no bolso. Absorvi a culpa em conjunto, justificando nossa falta conhecimento e localidades em Los Angeles. As palavras que usei quiseram dizer que nos perdemos, de fato.

O Diretor “entendeu”, ou pelo menos quis acreditar que sim. Entramos na mesma sala onde tinha participado da audição anterior. O Retorno já estava em andamento. Constatamos imediatamente a presença de vários atores se movimentando pelo espaço, como minhocas bípedes. O desafio, certamente, era esquecer o esqueleto que estrutura o corpo, até atingir um ponto em que gelatinas ambulantes tomassem conta do físico dos atores. Como se não bastasse, esses vermes anelídeos produziam certos ruídos vocais com uma possível harmonia. Confesso que a tal ‘cantoria’ tinha um quê de sedutor, mas também de drama.

Deixei a bolsa na cadeira, me alonguei por 10 segundos. Entramos na roda. Não sei porquê. Me pareceu digno oferecer meu trabalho, simplesmente. Trinta segundos depois (contando com os meus 10 segundos anteriores, de alongamento), o diretor encerra o pedido. Agradece aos atores. Continuamos nos alongando. Comecei a pensar no que seria o próximo exercício. E… Oooops! O Diretor foi breve. Disse que enviaria um e-mail com a programação para a gravação do filme.

Tentei conversar com ele, perguntar alguma coisa, mas ele estava ocupado. Deixei meus contatos, alegando que não tinha recebido nenhuma informação sobre esse encontro e que a Marjo-Riikka me pediu para voltar. Lucy, a mulher envolvida na produção do filme disse para eu não me preocupar pois ela enviaria um e-mail com todas as informações necessárias.

Ouvi de um passarinho com informações seguras, que através da gravação deste filme, os atores que não forem do Sindicato (SAG), terão o privilégio de adquirir a aptidão para qualquer filme da União de Atores. Ou seja, mesmo sendo um trabalho não remunerado, terei a oportunidade de ganhar créditos internacionais, e ainda poder tentar outras audições que sejam do Sindicato (SAG). Muitos não entenderiam, mas é o que qualquer ator procura quando chega em Los Angeles, e muitos penam por meses e até anos para conseguirem essa permissão. Sem essa vantagem, receberiam uma comissão muito menor do que qualquer outro ator, e poderiam, portanto, tentar apenas audições de filmes independentes, que dificilmente pagam ou conseguem retorno em festivais de cinema.

Tentando manter os pés no chão, tenho que torcer para que eu possa tirar proveito dessa primazia, pois meu visto de turista, dificilmente permitirá.

Fico preocupada também pelo fato de não ter muito tempo em Los Angeles. Geralmente as gravações são feitas em aproximadamente dois meses depois das audições. Parece que vou ter que esperar por um e-mail para contar minha próxima saga hollywoodiana.