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B.B, leitora do Blog, é do interior de São Paulo, e como toda adolescente, confusa, sem saber o que escolher como carreira “eterna”, escolheu qualquer coisa e se formou em Administração. Há pouco tempo, assistiu uma aula de Artes Cênicas em sua antiga faculdade e se apaixonou loucamente pela arte de interpretar. Descobriu então, o que realmente quer fazer da vida. Tem paixão pelo universo cinematográfico e gostaria de colocar isso em prática. Tem 28 anos e por isso se preocupa com os obstáculos que pode vir a encontrar durante sua jornada. Não tem experiência com teatro, filme ou televisão, mas quer aprender e está disposta a mergulhar de cabeça nesse sonho californiano. 

Entre dúvidas, conselhos e desabafos, ela confessa:

“… eu estou assustada e com medo de partir para o desconhecido, mas a vontade é tamanha que ultrapassa esse sentimento, e muitos dizem que a sorte é a gente que faz certo?!!! Eu gostaria de chegar aos meus 60 anos e olhar para trás e dizer que ao menos eu tentei!!! Eu vivi aquele sonho, que pode parecer impossível para muitos, mas eu estive lá, tentando, lutando!!! Não sei se você consegue perceber o meu ponto!!! Nas últimas semanas eu tenho estado meio em crise menina, estou com 28 anos e fico pensando “será que não estou velha para esse tipo de coisa??? Será que vale a pena???” São tantos “será”!!!”

É claro que eu vejo o seu ponto de vista. Sem crises.

Sozinha, ela responde, o que eu perguntaria a seguir.

“[…] Quero muito, acho que nunca quis tanto uma coisa como eu quero agora, eu quero conhecer essa arte, eu quero estudar isso com afinco, eu quero aprender!!! Principalmente, eu quero viver isso!!! E vendo você com sua força de vontade, só me faz querer isso ainda mais!!! O crime compensa??! Acho que sim né!! Acho que a forma der ser realizado e feliz nessa vida, é fazer aquilo que gostamos e temos paixão!”

B.B querida, meu conselho é justamente o que você mesmo já responde nesse seu e-mail tão sensível e carismático. Se você realmente está disposta a arriscar tudo por essa paixão, vai fundo. Grandes são as chances de progredir. Já imaginou quantas pessoas preferem permanecer dentro da sua linha de conforto? Eu sempre digo: É difícil, claro. Se fosse fácil todos fariam e os valores pessoais e profissionais seriam muito mais limitados do que são hoje. Partir do ZERO para uma carreira totalmente subjetiva e instável financeiramente é algo que todo mundo tem medo e poucos são os que realmente tem CORAGEM de fazer. É preciso ser persistente, ter garra. Por outro lado, a satisfação de fazer o que gosta, não tem preço.

Gostaria de compartilhar uma breve história de sucesso, que talvez possa inspirar você e muitos outros numa escolha tão desafiadora… Certamente, o primeiro passo é querer, depois persistir, lutar, e por fim, conseguir. Não desista dos seus sonhos! Tampouco pretendo dar uma de Augusto Cury, mas acredito que motivações, todo ser humano precisa.

 Lembram do Mark Ruffalo? 

Pois é, antes de ser famoso, Ruffalo confessa que, pelos seus próprios cálculos, foi rejeitado em aproximadamente 800 audições. Dá pra crer? Enquanto construía seu Curriculum Artístico, ele passou pelos estágios de ator, escritor, diretor, produtor, iluminador e cenógrafo. Embora tenha conseguido boas críticas teatrais, Mark não conseguia nenhum papel em filme ou televisão. Além de todas as dificuldades que precisou enfrentar, inclusive financeiras, como Bartender, serviu bebidas alcoolicas em bares, durante quase nove anos.

Depois de muito tentar e já disposto a jogar tudo para o alto, um encontro por acaso e a colaboração do dramaturgo e roteirista Kenneth Lonergan, mudou sua vida. Ruffalo ganhou respeito pela sua performance em Nova Iorque, com a peça de Lonergan: “This is Your Youth”, que finalmente abriu portas para seu primeiro papel como protagonista do filme ‘Conte Comigo’ (“You Can Count on Me”, 2000). Sua inédita, memorável, e inesquecível interpretação abriu os olhos de vários diretores de Hollywood. Logo, alguns críticos começaram a reconhecer o talento de Ruffalo e chegaram a compará-lo com Marlon Brando (isso eu já não sei se concordo… Porque Brando é Brando!).

Apesar de todo o sucesso com os filmes e uma bendita quantidade de motivação ($$$), sua paixão pelo teatro permanece até hoje. Entre direções, atuações e grandes projetos cinematográficos, sua humildade não lhe permite, simplesmente, largar as raízes que o fizeram subir os degraus da fama Hollywoodiana. Hoje, ainda produz, dirige, e atua em uma pequena companhia teatral em Los Angeles, que um dia abriu suas portas para novas oportunidades.

Mark Ruffalo, devido à versatilidade de seus personagens, continua impressionando diretores, atores e seu exigente público, amante das artes cênicas e cinematográficas. Suas performances de maiores destaques, são: “Minha Vida sem Mim” (2003); “Em Carne Viva” (2003), de Jane Campion, em que contracena com Meg Ryan; “Colateral” (2004), com Tom Cruise e Jamie Foxx; “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004), com Jim Carrey, Kate Winslet e Kirsten Dunst; “Tentação” (2004); “De Repente 30” (2004), com Jennifer Garner; “E Se Fosse Verdade” (2005), com Reese Witherspoon; “Dizem por Aí” (2005), com Jennifer Aniston; “Zodíaco” (2007), com Robert Downey Jr.;

“Ensaio sobre a Cegueira” (2008), do diretor Fernando Meirelles, com Julianne Moore e Gael García Bernal.

… E o mais recente, que fui assistir na semana passada, em 3D: THE AVENGERS, ou ‘Os Vingadores’ (2012), de Joss Whedon. Divertidíssimo! As notícias calculam que se o estrago que Os Vingadores fizeram em NYC, fosse verdadeiro, o custo de reparo, seria de aproximadamente $160 bilhões de dólares. No dia 8 de maio, Os Vingadores ganharam $257,627,807 na América do Norte e $517,800,000 em outros países, totalizando $775,427,807. Nas estréias internacionais, o filme fez $392.5 milhões de dólares, ficando entre o terceiro filme mais lucrativo da história do cinema. Isso cobriu o custo da produção inteira, que foi de $220 milhões de dólares, apenas nos primeiros doze dias de lançamento do filme.

PORTANTO B.B e caros leitores, através da persistência, como ator, é possível conseguir um contato ou outro, um papel, uma peça, um filme. Aos pouquinhos dá para conquistar um pedacinho de reconhecimento no campo profissional. Veja a história do Ruffalo. Claro que é um em um milhão. Mas quem sabe, você pode ser esse UM?! Por um papel, como o Hulk, depois de 9 anos servindo em bares e adquirindo experiência, acho que vale a pena financeiramente ser ator e investir no que se gosta.

Se me perguntarem, e já me perguntaram: Ser atriz me faz feliz, mesmo tendo que ter um trabalho secundário para pagar as contas?

Meu SIM é garantido.