E então eu conheci a Joanna Merlin… 

Quem aí já viu Law and Order? Conhecem a juíza Lena Petrovsky?

Pois ela é, nem mais, nem menos do que a Presidente do Michael Chekhov Acting Studio de New York. Veio ontem à Los Angeles, dar uma “fiscalizada” no trabalho do Chekhov Studio International. Como alunos, participamos de um Workshop da técnica, e também contamos com a célebre presença da Amanda Maya, atriz, produtora e integrante do corpo docente do Instituto Stanislavsky SP. Mais uma vez, com toda a sorte do mundo, tive o prazer de ajudá-la com algumas traduções simultâneas durante a Oficina.

Além de mestre, Presidente do Acting Studio em NY, atriz consagrada, e pesquisadora, a Joanna Merlin, também foi fiel aluna, diretamente, do MESTRE Michael Chekhov. Ao tirar nossas dúvidas a respeito da técnica, surgiu uma pergunta que balançou as emoções de todas as professoras na sala, Mestres em Chekhov:

“E aí, como foi estudar com O CARA?”  

Joanna, sem acreditar na pergunta, respondeu contendo suas lágrimas de emoção. Disse que ele tinha um carisma imenso, nunca julgava certo ou errado para os exercícios em classe, acreditava infinitamente no potencial dos seus alunos. Costumava dizer:

“Your heart is as big as the world”.

Com essa simples e verdadeira frase, tudo fez sentido.

Acredito que toda a técnica é baseada na arte da imaginação, portanto: Se você imagina e acredita, você vive! Aí está o coração da criatividade.

Antes de começar a oficina, todos deveriam se apresentar e comentar brevemente sobre seu background com a Técnica Chekhov. A maioria dos alunos já tinha tido algum contato, outros poucos, ainda não. Os que tiveram, confessaram uma mudança drástica em suas vidas, com relação à todas as outras lições e métodos aplicados à prática da interpretação. Mudaram sua mentalidade e passaram a adotar a técnica de maneira que vivessem a experiência de possuir o PODER sobre o seu personagem e obter controle sobre suas energias no ambiente de trabalho. Todos sabemos que a imaginação é a ferramenta mais poderosa do ator. Michael Chekhov é realmente inspirador, a medida que nos ensina a desenvolver essa ferramenta para atuar verdadeiramente diante de circunstâncias imaginárias.

Depois da Oficina e de todos os comentários dos alunos que já absorveram grande parte da técnica, os que não tinham tido nenhum contato com Chekhov, passaram a alimentar a curiosidade pelo PODER que adquiriam enquanto utilizavam o método. Logo se inscreveram no curso.

Há algum tempo me apaixonei por um cara que entrou de repente na minha vida. Já havia comentado sobre isso em outro artigo do blog. Não revelei o nome dele, porque achei que fosse óbvio, é claro que é o Michael Chekhov. Ele me inspira, me traz sensações que experimentei sem nunca ter vivido, é um mestre e tanto. Conheço poucas técnicas de interpretação, ou melhor, tenho conhecimento de uma introdução das clássicas, que aprendi na faculdade. Estou começando a explorar teorias e práticas contemporâneas e sem sombra de dúvidas, julgo simplesmente apaixonante. Não descarto a possibilidade de aprender outras técnicas. Pelo contrário, acho que como atriz, é meu dever conhecer todas elas, a fim de construir meu leque de ferramentas e utilizar as que funcionam pra mim. Quanto mais eu souber e puder aplicar em palco, cenas ou gravações, melhor.

De todas as maneiras, achei um privilégio sem fim poder contar com a ilustre visita da Joanna Merlin, e nossas professoras Kim Lane e Marjo-Riikka Makela. Todas tem um coração lindo e incrível. Além do vasto conhecimento que sopram das palmas de suas mãos em direção aos nossos olhos, é possível sentir todo o poder que elas tem quando transmitem esse trabalho tão sensível e único.

Só tenho a agradecer por todas essas experiências especiais que cruzam meu caminho e me preenchem o coração, a mente, o corpo e toda a construção da minha criatividade individual…

Go, Chekhov! Go!