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ATIVIDADES RECENTES:

Cheguei em Los Angeles: Fiquei fascinada com a cidade. Afinal, que ator não ficaria? Todo esse glamour divulgado sobre as festas de Hollywood e suas estrelas de cinema é verdadeiro. Pelo menos nos faz sonhar com a possibilidade de algum dia, se destacar entre milhões e milhões de ‘sonhatores’. Já não é mais novidade ouvir falar de Premieres, da infinidade de filmes independentes, comerciais, agências, castings, tapetes vermelhos, calçada da fama, oportunidades, palestras, workshops, gravações, testes, seminários, e todo o tipo de Showbizz.

Cheguei a considerar Los Angeles como Praga, mas praga de tanto ator. Nunca vi. Se chover então, parece Gremilin, a especialidade deles aqui, é se auto-reproduzir: de um mais ou menos talentoso, brotam cinco péssimos. Ou seja, mesmo  enfrentando uma banca para ser membro do Sindicato de Atores (SAG), que permite benefícios ao ator, a população “artística” de LA é tão expansiva, que os filtros para definir talento são totalmente ignorados.

Muitos atores? Até demais.

Muitos atores bons? Não sei, mas os ruins vem em coleção.

Comecei as aulas do Theatre of Arts: Fiz quatro novas amizades: Robert, Sean (alunos); Will e Rob (professores). Desde o princípio demonstrei minha curiosidade por todo tipo de biografia e técnicas de representação. Eu realmente gosto de estudar. Tinha o desejo de chegar logo em casa, quando acabasse a aula e pesquisar tudo de novo a fim de chegar, no dia seguinte, com mais perguntas e dúvidas. Estar preparada sempre para questionar ainda mais era um dos meus objetivos. A meta, certamente não era testar o professor, mas encher meu ego de conhecimento.

Por algumas semanas me revoltei com o planejamento de aula do professor, que para mim, ainda acho que foi nulo. Como pode um professor não planejar as aulas e achar que está tudo bem? Eu não gostava nem um pouquinho quando ele resolvia abortar as aulas com um breve aviso prévio por causa de uma audição que teria na mesma hora da nossa aula, no dia seguinte. Eu concordo que não é justo ser cúmplice da ausência de nenhum aluno. Mas e a de um professor? Afinal, o curso não foi de graça, – pelo contrário, foi pra lá de caro. Entendo que é importante ter um professor que também é ator e que participa efetivamente das audições atuais. Por outro lado, com que seriedade vou levar o curso onde nem o professor tem a disciplina e o compromisso com a escola?

Além disso tudo, perdíamos aulas quando ele relatava detalhes desnecessários sobre suas atividades diárias. Todo dia era uma história e uma audição diferente. Pode ser até importante discutir o quão ocupada é a vida de um ator que trabalha na indústria, DESDE QUE eu esteja também trabalhando no ramo cinematográfico/teatral/televisivo. Enfim, sem querer bancar a aluna nerd, fiquei calada quando devia ter dito algo.

Fiquei feliz por ter engolido o sapo, porque ele percebeu minha insatisfação e mudou sem que precisasse me manifestar. Nos últimos dias, acho que ele se dedicou mais. Posso dizer que o curso, embora breve, me proporcionou um conhecimento bem mais amplo do que eu esperava. Aprendi uma breve introdução às técnicas de interpretação utilizadas nos Estados Unidos. Gostaria de ter tido mais prática corporal, mas entendo que o curso de Acting I é apenas uma base às teorias e introduções dos diferentes métodos.

Quanto às aulas de Improvisação, também gostei. O professor era dedicado e sabia do que estava falando. Considero importante essa aula, a medida que desenvolvo a atenção e concentração em palco, além, claro, da conexão que estabeleço com quem divide a cena comigo. Minha lamentação consiste apenas no fato de que as aulas eram quase particulares. Não me entendam mal, eu fico feliz de ter o professor só pra mim, tirando minhas dúvidas e explicando detalhes dos exercícios. O problema disso tudo, é que em improvisação, é muito difícil não interagir com outra pessoa.

O Robert, meu colega, desistiu das aulas porque se achava “stupid” (idiota) por estar fazendo aquelas atividades, que pareciam tão bobas. É claro, ele nunca teve a oportunidade de ver outras pessoas fazendo o mesmo que ele, em cena. No resto, o trabalho comigo foi mais “particular”, analisando os meus erros pessoais. Por mais que eu tenha gostado das aulas, é o tipo de curso que não dá pra parar assim, de repente. Improvisar é praticar sempre.

Comecei as aulas do Chekhov Studio: Presente de aniversário muito bem aproveitado. Conheci novas pessoas. A maioria delas são ligadas à algum tipo de espiritualidade, são alegres e apaixonados pela arte de interpretar. Muita teoria e muita prática. Aliás, passei por exercícios e experiências bastante intensas com as técnicas de Chekhov.

 Essas pesquisas entre livros e a busca pela (de-) formação do corpo me cativam. Com isso, procuro arrastar o que aprendo na aula como vivência diária, me envolvendo com meditações, concentração, diferentes maneiras de me relacionar socialmente, e por aí vai. Fui acolhida gentilmente no dia do meu aniversário, me tornando membro de uma família de atores, que me fizeram acreditar numa força energética maior do que achei que pudesse existir. Continuo o curso aos domingos, embora penso que seria maravilhoso tê-lo todos os dias.

Entrei para o Play Club Reading: Buscava um clube, sindicato, sociedade, reunião ou qualquer tipo de grupo de estudo que pesquisasse e tivesse interesse pela análise e leitura de peças. Gostaria de ter um acesso ‘coletivo’ aos autores e atividades artísticas, desde clássicas à contemporâneas. Perto de onde moro, encontrei um Clube de Leituras Dramáticas. Caiu como uma luva. Na primeira noite fui apenas conferir do que se tratava. Leram o roteiro de Tennesse Williams, “Um Bonde Chamado Desejo” (A Streetcar Named Desire). 

Na semana seguinte, resolvi participar. Lemos juntos a peça Sububia, de Eric Bogosian. Tudo o que eu posso dizer é que o grupo tem as melhores intenções e acho muitíssimo importante para qualquer profissional da área manter-se conectado com o ofício. Gosto muito do Clube e pretendo continuar.

Terminei as aulas do Theatre of Arts: No último dia de aula, Rob, aquele professor pelo qual me revoltei na metade do curso do TOA, me deixou um bilhetinho no caderno:

“Thank you for your inspiration and your endless curiosity. X, Rob.”

(“Obrigada pela sua inspiração e curiosidade infinita. Beijo, Rob.”)

Me emocionei. Inspiração foi ele, apesar dos pesares. Achei incrível a dedicação especial com a qual mantém seus trabalhos como ator. Como aluna, não gosto. Como atriz e pessoa, me inspira e torço muito pelo sucesso daqueles que vão atrás dos seus sonhos.

Essa semana não tive que me preocupar com as idas à Hollywood, de manhã. Sinto falta daquele compromisso de acordar todos os dias cedinho e participar de um encontro para discutir idéias e técnicas sobre essa arte do palco. Existem tantos termos, pessoas que se envolveram profundamente com diferentes métodos, que tão pouco, ou quase nunca ouvi falar antes. Tenho fome disso tudo, de descobrir mais, de explorar detalhes da incumbência artística. Acredito ter aprendido bastante. Mas…

Como preencher minhas manhãs de energia, conhecimento e alegrias?

Logo venho contar sobre a Jornada da Desempregada II. Bah… Que fase!