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Acredito que o ator é motivado pelo processo mental da criação. Sempre que há necessidade de criar comportamentos para um determinado personagem, a imaginação do ator é a primeira a ser requisitada. Embora o autor da peça possa disponibilizar informações necessárias para definir os conflitos na história, é o ator quem deve comunicar ao público as possíveis interpretações do roteiro, através dos personagens.

Ouvi dizer, há algum tempo, que o cérebro dobra o nível de produção de energia em relação ao que desenvolve quando estamos raciocinando ou construindo imagens e idéias mentalmente. Não sei se é verdade, mas depois das histórias a seguir, devo concordar que pelo menos 80% dessa afirmação é verdadeira.


Um homem estava condenado com a data da execução programada. Um médico hindu conseguiu autorização para realizar com ele uma experiência, que foi aceita pela direção da Penitenciária. 
O médico iria realizar o seu “dessangramento” (tirar todo seu sangue) e ele morreria sem dor. O preso aceitou, afinal de contas ele iria morrer, de qualquer jeito. O homem foi amarrado na cama e teve seus olhos vendados. O médico pendurou nos lados da cama quatro frascos de água, deixando-os pendurados sobre bacias no piso. Fez pequenas lacerações nas extremidades do corpo do condenado e em seguida fez com que a água começasse a gotejar. A seguir, o preso foi se debilitando, enquanto o médico explicava que ele estava perdendo o sangue, em voz baixa (o que não era verdade, o que gotejava era a água). Por fim, fez-se silêncio e a água parou de pingar. Apesar de jovem e forte, o sentenciado perdeu os sentidos e examinado pela equipe médica que acompanhava a experiência, foi constatado que ele havia falecido, sem perder uma gota de sangue.

Impressionante, não é?

Comigo aconteceu algo semelhante, mas obviamente não com a mesma proporção. Provavelmente eu não deveria revelar meus “segredos”, de forma pública… Mas, acho interessante comparar essas situações e começar a ter outras perspectivas em relação ao poder da criatividade mental humana.

Alguém já ouviu falar em Kumon? Pois é, eu frequentava as aulas de Matemática do Kumon e odiava. Trata de um Método que ajuda a criança a desenvolver cálculos matemáticos através de um bloco de equações, em que o aluno deve marcar o tempo de duração do exercício. Na teoria, este método deveria fazer com que o aluno gradativamente aumentasse sua velocidade de raciocínio. Para mim, nada disso aconteceu.

Numa terça-feira ensolarada de 2003, às 15h aproximadamente, lá estava eu, no colégio, trancada no banheiro. Na minha mochila estavam os meus vinte bloquinhos de equações e contas matemáticas por fazer: Em branco! Minha aula de Kumon começaria em uma hora e eu não tinha disposição, tempo, nem coragem de fazê-los. Devia ser a terceira ou quarta aula que não levava as minhas tarefas e o desespero começou a bater na minha porta. O que fazer com aqueles bloquinhos? Eu não poderia inventar qualquer outra desculpa. Não saberia como. Foi a primeira vez que eu utilizei um Gesto Psicológico sem saber nada sobre isso. Sentada do chão, eu contraí meu corpo e o envolvi em meus braços como se abraçasse a mim mesma. Depois coloquei as mãos sobre a testa, e criei uma imagem de fogo na mente. A idéia era ficar doente, então eu mentalizei. Minutos depois, minha cabeça começou a queimar de febre e dor de cabeça. Pensei ter super-poderes. Estava vulnerável e fraca. Achei que com essa ridícula idéia, eu não precisaria ir ao Kumon, nem entregar meus bloquinhos de matemática. Estava salva, graças à minha imaginação…

Como se não bastasse, forcei o choro. Agora não era muito difícil arrancar lágrimas dos meus olhos, já que eu havia recentemente convidado as sensações de dor e desconforto. Liguei para os meus pais. Eles vieram, me buscaram e preocupados, resolveram me levar ao hospital. Meus olhos arregalaram, o choro foi engolido, estava tudo bem. Eles insistiram e não consegui fazer com que eles mudassem de idéia.

Eu só queria ir pra casa.

Não sei o que aconteceu ao certo. Não sei dizer se o médico do hospital era tão ruim que se sentiu no direito de inventar os meus sintomas e julgar uma doença para escrever em seu relatório, OU se minha imaginação foi tão forte a ponto de desenvolver SINUSITE e me internar por 3 dias. Jamais saberei. A única coisa que sei é que, só porque não quis fazer as tarefas do Kumon, – como castigo –  fiquei 3 dias no hospital, tomando soro no braço, e comendo bolachinhas de água e sal (sem gosto).   

Não é incrível como a mente humana funciona?

Me faz lembrar um vídeo que vi na faculdade: o tal do SEGREDO. Para aqueles que começaram a rolar seus olhos para lá de suas órbitas, se acalmem e não façam isso pois faz mal (pra mim e pra você)! Não estou dizendo que acredito piamente nas teorias do SEGREDO. Concordo que às vezes, é besteira até ouvir sobre algumas interpretações que fazem sobre este filme. No entanto, me parece bem plausível a possibilidade de criar imagens e acreditar em sonhos a fim de transformá-los em realidade. Também acredito que não adianta apenas pensar, é preciso planejar e fazer acontecer.

(Aquela velha história…) Eu quero. Eu posso. Eu consigo.

No caso do Kumon, eu queria ficar doente, não sabia que podia, mas… Consegui! 

O poder da imaginação é tão forte, mas ao mesmo tempo tão sensível. Desenvolver a habilidade de controlar emoções e sensações dentro do meu corpo, me parece muito mais interessante para a minha profissão, do que aprender continhas de matemática básica ou resolução de sistemas equacionais.