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“O professor medíocre conta. O bom professor explica. O professor superior demonstra. O grande professor inspira.” (William Arthur Ward)

Quem nunca se apaixonou por uma matéria na escola quando criança, ou na universidade quando adulto? Será que você pôde pelo menos se identificar com um tema mais do que outro? Por que será que nos envolvemos com alguns assuntos de escola mais intensamente do que outros? Qual é a facilidade de compreensão que um estudante tem, e por que são diferentes entre os colegas de uma mesma classe? Como escolher uma profissão para a vida inteira, sendo tão jovem e imaturo?

Particularmente, acho que tudo depende de vários fatores, como educação, ambiente em que cresceu, influências paternais, expressividade, interesse, facilidade. Enfim, eu poderia citar vários aspectos relevantes para responder à essas perguntas. No entanto, acredito que aquele que ensina é quem realmente deve providenciar todos os argumentos necessários para a assimilação do tirocínio do aprendiz.

Jamais esqueço uma situação comovente (para mim) que ocorreu por volta de 2002 ou 2003. Gostaria de mostrar como algumas pessoas fazem a diferença na vida de alguém, talvez com perspectivas muito diferentes, e que acabam traçando outro rumo e percorrendo caminhos jamais pensados antes. Com alguma semelhança, tive a oportunidade de reviver aquele momento admirável também em 2009. Quando conto essa história, sempre tem alguém que concorda, se identifica ou já se viu presente no exato instante da ocasião.

Por volta de 2002 ou 2003, não lembro ao certo, fizeram uma reunião de pais e professores na minha escola para recorrer aos pais sobre as inúmeras opções em relação
ao futuro profissional de seus filhos e alunos. Para isso, pediram aos pais que estivessem disponíveis pela manhã, que viessem à escola discursar um pouco sobre seus propósitos como profissional e explicar em síntese o foco do seu ofício. Algumas palavras bastariam para simbolizar o trabalho de um especialista em alguma faculdade específica. Eu devia ter meus doze anos, provavelmente sem saber ao certo que profissão escolher, muito antes de cair na perdição artística.

Logo se fizeram presentes alguns pais de alunos na ensolarada manhã do dia estabelecido. A palestra começara e os alunos extremamente ansiosos e muito jovens ainda não continham o silêncio entre brincadeiras, risadas e murmúrios.

Nada lembro do seminário, exceto por um dos oradores que calou os sussurros e capturou atenção imediata dos alunos ao atravessar o corredor e chegar no tablado de madeira do auditório da escola. Aquele homem tinha expressões no rosto que determinavam peculiar seriedade. Lembro que vestia terno e gravata e carregava uma pasta de couro marrom num tom envelhecido. De uma maneira clara e objetiva, fez observações à respeito de um mundo de negócios, onde era preciso planejar, investir, prever situações financeiras, e elaborar perspectivas econômicas. Tudo o que foi dito, foi programado anteriormente, tinha fundamento. Diferentemente de todos os outros pais que expuseram suas idéias, nós, como alunos pré-adolescentes, finalmente pudemos acompanhar o raciocínio deste grande homem. Não porque é meu pai (ou talvez também porque ele é), mas a didática e simplicidade com a qual proferiu seu discurso, nos fez realmente acreditar que éramos capazes de chegar ao mesmo nível de importância que aquele homem que entrou na sala e emudeceu todos com apenas um grave tom de “Bom dia!”. Durante um ano inteiro, quase todos os meus colegas de classe estavam decididos: em alguns anos, prestariam vestibular para Economia.

Em 2009, lembro estar na minha faculdade em Curitiba (PR), numa aula noturna de Ética e Filosofia.

Não lembro do que a aula tratava, mas estava um bocado entediante. De repente o celular vibrou no meu bolso, mas nessas horas nem penso em verificar por respeito ao professor. Logo em seguida, vibrou duas vezes mais. Fiquei instigada pela situação, mas mantive o celular guardado. Três minutos depois, vibrou novamente, de novo e outra vez mais. Não aguentei a curiosidade e discretamente conferi. Havia recebido 6 mensagens de pessoas diferentes, que não se conheciam, mas que haviam acabado de assistir um Simpósio de Economia e Comércio Exterior cujo palestrante era o respeitadíssimo Professor Schreiber, em Itajaí (SC). As mensagens eram de alguns amigos próximos e outros mais distantes, mas diziam a mesma coisa com palavras semelhantes. Coisas do tipo: “Bravo! Seu pai é sensacional…”; “Nossa, adorei a palestra do seu pai, mande meus parabéns.”; “Estou impressionado com a vastidão de conhecimento do Prof. Schreiber”; e saiu até uma piadinha: “Casa comigo? Adoraria ter a oportunidade de ouvir uma Enciclopédia aberta como seu pai durante tempo ilimitado.”

Ele, como professor é realmente apaixonado pelo que faz, pelo que estuda e conduz na universidade. Essa paixão é o que alimenta o dom da didática e o interesse que os alunos tem pelas suas aulas. É fundamental que um professor, na função de ensinar o aluno, traga inspirações que permitam possibilidades no extenso campo de atuação do profissional e que faça nascer o entusiasmo criador do futuro especialista da área escolhida.

Tudo isso, para dizer que existe a esperança de bons professores no mundo. Aqueles que realmente ensinam porque gostam e não aqueles que o fazem por dinheiro, sobrevivência, status, ou tontas percepções intelectuais, como talvez ter domínio sobre um aluno por achar que “sabe” mais. O bom professor é aquele que faz um “boom” na sua vida, que te faz refletir, que muda a sua perspectiva em relação às experiências que você teve ou terá, que sabe do que está falando, que debate sobre um tema com referências plausíveis para que você acredite nele e possa atualizar suas informações. Finalmente, e sobretudo, o bom professor é aquele que inspira e te leva para outra dimensão de pensamento, na qual você acredita que é capaz de transformar o mundo e se apaixonar perdidamente pela sua profissão.

Pai, mestre, e professor, aqui deixo uma pequena nota da minha declaração de afeto em público à você: Só tenho a agradecer pelos toques de conhecimento e compreensão em cada momento confuso da minha vida, enroscada em livros, textos filosóficos, dúvidas, questões existenciais e na maioria das vezes, perguntas sem nexo nenhum, mas que acabaram em grandiosas indagações psicológicas com ou sem solução. Obrigada por fortalecer minha humilde (in)competência intelectual, e acrescentar meu leque de informações necessárias para aprender a viver com duas fontes de sabedoria fundamentais, e ninguém melhor do que você para ensinar a ter: Paz e Liberdade! OBRIGADA! Te amo! ♥