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Segunda-feira estava tão cansada que acordei tarde e perdi a aula.

Ao invés de dormir mais um pouco, fiquei perambulando na internet, fazendo minhas “pesquisas”. 9:30 am recebo uma ligação. Martin, o Camera-Man do filme estudantil do Meu Domingo de Sol, estava me convidando para participar de mais um projeto da Los Angeles Film School em 4 horas a partir dali. Por que não? Agora penso que quanto mais eu fizer essas pequenas gravações estudantis, mais cenas poderei reunir e melhor será a seleção para construir meu Demo Reel, além da possibilidade de conhecer mais pessoas dentro da minha área. Isso é parte do Business!

O objetivo era o mesmo que o grupo do dia anterior, demonstrar as expressões dos atores, e contar uma história através de cenas, sem falas.

O enredo tratava de um casal apaixonado. Ela engravida e não sabe como contar a ele. Quando ela toma coragem e relata a situação, ele a deixa. Desesperada e sentindo-se mais solitária do que nunca, ela chora sem parar. Volta para casa, sem esperança. Momentos depois, ele aparece na porta nervoso, mas radiante. Ela não entende. Ele se ajoelha e mostra um anel. Produto final: Hollywood.

    – Agora. Se você não tem uma base sobre aquele personagem, você nunca participou de um processo para saber do que se trata essa psicologia frenética que a consome, e de repente, dentro de segundos de respiração, seguidos de um determinado: “AÇÃO!” proveniente do Diretor, você tem que cair aos prantos e produzir lágrimas não-sei-de-onde… Onde é que vai parar a sua motivação?

Falando nisso, de onde será que as pessoas comuns (não-atores) tiram essa idéia maluca de que os atores são obrigados a “chorar” num estalar de dedos? Acho que todos os atores já devem ter ouvido: Você é atriz / ator? Então chora! (Reação da maioria dos atores que não choram simplesmente: ????). Só se for literalmente, absorvendo a idéia de que chorar por ser atriz é necessariamente um erro. Talvez eu deva pensar nisso, na próxima vez que me pedirem tal proposta indecente. Aliás, tem aqueles que choram mesmo, com vontade, e alguns ainda colocam no Curriculum como habilidades especiais. Por mais que custe acreditar, eu juro ter visto.

Como tudo era baseado no improviso, e eu não sabia que a próxima cena seria o chororô da minha pesonagem, não tive muito tempo para pensar. Os diretores realmente foram os que pensaram em tudo, principalmente na incapacidade da atriz em não corresponder às devidas emoções solicitadas. Usaram o truque mais antigo que existe: Compraram uma cebola. Isso para que eu pudesse cortá-la e expor todas as minhas lágrimas mais do que verdadeiras. Na décima quinta cena (repetida), a cebola já não fazia mais efeito, meu olho estava irritado e inapto às condições exigidas. Afinal, mesmo sendo uma ótima atriz, chorando durante quase todas as cenas, quem é que aguenta exibir seus pingos de chuva salgados durante 15 cenas seguidas? E o requisito ainda consiste em fazê-lo com a mesma emoção que a primeira cena. Eu fico super curiosa nessas situações e realmente gostaria de saber quem o faz, porque provavelmente vocês veriam a minha desistência imediata em relação à profissão artística.

Olhos secos, sem lágrimas, sem emoção. Apenas irritação e mal-estar. Resolveram então, apelar para o colírio, meus olhos melhoraram e ainda expeliram diversos pingos para a felicidade geral.

Se é para o bem de todos, diga ao povo que eu choro.”

FIM!