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(Meu domingo de sol)

10:00 amTrim! Trim! Trim! Cara inchada, olhos ainda fechados, grunhidos: “Ah, qual é? Hoje é domingo!“. Abro os olhos, nada acontece, fecho os olhos. Viro para o outro lado. Volto a dormir.

10:30 amTrim! Trim! Trim! Olho para o despertador que indica: STUDENT FILM (Filme Estudantil). Quando estou quase fingindo não ver de novo, lembro que pode ser uma experiência bacana. Saio correndo da cama, entro no chuveiro, pego uma toalha, coloco maquiagem, escolho uma roupa, calço as sapatilhas. Estou quase pronta.

11:00 am Beeep Beeep! Buzina Sean. Blup! Blup! Blup! Recebo uma mensagem de texto no celular. Ele está lá fora me esperando. Saio correndo.

12:00 am – Chegamos em uma casa cor-de-rosa, onde seriam feitas as gravações. Comento com o Sean que quero uma casa cor-de-rosa quando crescer. Lemos o script. Descobrimos que tudo seria improvisado, a partir de direções ao vivo. Ou seja, enquanto gravamos, nos dirigem simultaneamente. As cenas não teriam falas e o objetivo era demonstrar a reação dos atores e suas expressões em relação ao enredo da história. Não chega a ser um filme de curta-metragem. São apenas gravações de cenas.

12:30 pm – O entregador do Pizza Hut chega. Almoçamos.

1:00 pm Luz, câmera, ação!

“Menos é mais” nunca fez tanto sentido. Gravar uma cena é totalmente diferente de atuar em palco. Todos já devem ter ouvido isso antes, mas de fato, os movimentos são quase imperceptíveis a olho nu, pelo menos para quem trabalhou com teatro. Uma ruga na testa, durante um close-up (foco da câmera) faz uma diferença enorme, assim como “minúsculos músculos” reagindo no rosto e no corpo. É extremamente sutil! Vocês tem idéia da diferença que essas pequenas reações tem da interpretação teatral? Não digo que no teatro não existam pequenas reações. Pelo contrário, a motivação do ator é feita através de pequenos impulsos, mas não telescópicos.

A cena é sobre um garoto apaixonado que está a caminho da casa de sua namorada. Chegando lá, ela está com outro. Decepcionado e rritado, chama o “outro” para brigar, mas acaba nocauteado no chão. Ela tenta acudir, mas ele vai embora desolado. Acreditem, é pior do que comédia mexicana! Pelo menos a filmagem foi. (Deu pra perceber que eu era a “namorada”, né? Não que existam semelhanças com a personagem em relação à mim, mas porque existe apenas um papel feminino.)

Eu sempre respeitei muito mais o teatro do que a televisão ou o cinema, por conta do MOMENTUM, Happening, aqui e agora. Mas devo admitir que para ser ator diante das câmeras, tem que ter muita paciência. E quando eu digo muita paciência, é ter que gravar aproximadamente dez vezes a mesma cena, sem reclamar. Afinal, este é o seu trabalho. Existem diversos ângulos, luzes, lentes e cortes para testar. Para manter as mesmas expressões durante todas as gravações, sendo interrompida a qualquer momento por um palpite de direção, ou uma luz que falha, um barulho qualquer, não é nada fácil. É claro que eu tenho que considerar o fato de ser um filme experimental, e estudantil, mas ainda assim, estou aguardando ansiosamente pelo resultado final das cenas gravadas.

5:00 pm – Término da gravação… Pareceram duas horas.

Acredito que tanto o teatro, quanto as filmagens tem ótimos fatores a serem explorados em relação ao processo do trabalho do ator. Por isso continuo minha pesquisa corporal e teórica a respeito de ambos. Quando eu tiver uma opinião formada sobre o comparativo das duas formas de representação, vocês, queridos FIÉIS leitores, serão os primeiros a saber.

Vamos ver onde tudo isso vai dar…