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Poucas são as vezes que tenho a oportunidade de ir à Ópera. Geralmente os ingressos são caríssimos e mesmo que eu quisesse muito ir, ninguém que eu conheço tem a paciência de ir ao teatro para assistir uma Ópera. Talvez dois, no máximo três indivíduos, isto é, se o primeiro não dormir. E outra, existe ou já existiu alguma Ópera em Santa Catarina? Ou pelo menos com preços acessíveis? Não, não são desculpas para não ir ao teatro para assistir uma Ópera. São fatos! Não fomos educados (na classe média) para participar de eventos deste nível, embora eu tenha muita curiosidade e tento aproveitar as poucas oportunidades que me são ofertadas.

Pois eis uma oportunidade em LOS ANGELES:

Dois amigos de Londres, o Marcus Tozini e o Rick Fischer, me convidaram gentilmente para assistir à Ópera de Benjamin Britten, Albert Herring. Emocionada, aceitei e fui SOZINHA ao teatro. Infelizmente o Marcus não pode vir aos Estados Unidos, mas o Rick estava lá, trabalhando. Foi maravilhoso poder compartilhar aquele momento comigo mesma, que para sempre ficará guardado na memória. Um agradecimento, de todo o coração, devo aos queridos Rick e Marcus.

 Para quem não conhece a história de Albert Herring, vou contar um pedacinho. Geralmente as óperas são mais “pesadas”, com uma carga emocional densa. Essa é uma ópera de câmara, por não ter uma orquestra completa. Em 3 atos, a obra e é baseada em um dos contos de Guy de Maupassant (Le Rosier de Madame Husson), mas transposta inteiramente para um ambiente inglês. É divertidíssimo e super engraçado. Mais parecia uma peça de teatro musical! A história é sobre a reação da sociedade em relação a uma pessoa estranha vivendo na comunidade:

Ato I: A Lady Billows está organizando o tradicional Festival de Maio no campo, e reúne várias pessoas importantes para decidir quem será a Rainha do Festival de Maio, supostamente virgem, bonita e perfeita perante a sociedade. Depois de tantas sugestões, se esgotam as possíveis candidatas. Nenhuma das moças é boa o suficiente para receber a coroa e o prêmio! O comitê decide então escolher um “Rei” para o Festival de Maio e já sabem quem se encaixa no perfil para o evento, Albert Herring. Ele é com certeza virgem, muito simples e filho da dona do mercadinho da cidade.

Ato II: No dia da celebração, seus amigos resolvem encher seu copo de limonada com rum. A noite, ao chegar em casa, muito bêbado, escuta seus amigos, (sem que saibam que as “janelas tem olhos e ouvidos”), sobre sua timidez, virgindade e pureza. Os próprios amigos com pena dele. Cansado de tanto julgamento, resolve mudar.

Ato III: Na manhã seguinte, ninguém encontra Albert. Todos o procuram por toda a cidade e tudo o que conseguem encontrar é sua coroa de flores jogada ao chão, atropelada e suja. Choram pela suposta morte! Finalmente, Albert aparece e relata suas revelações, enfrentando todos.