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Ao visitar Los Angeles pela primeira vez, sinto que é algo totalmente diferente das tantas viagens que já fiz. Talvez porque tenho plena consciência de que pode ser uma experiência que pode mudar a minha vida e porque realmente vim com a intenção de desenvolver minha carreira profissional. Na cidade, existem praias muito bonitas, palmeiras pelas ruas, váááárias lojinhas de souvenirs, muitos restaurantes mexicanos, Fast-Foods, estrelas com nomes de artistas espalhadas pelo chão, Starbucks por todos os lados, e como toda cidade grande, gente muito esquisita. Aliás, todas as manhãs, encontro esquinas cheias de indivíduos segurando pedaços de papelão, escritos a mão, pedindo por $1 para comprar maconha e/ou cerveja. Outro dia ofereci comida, e eles riram da minha cara. “Ha-Ha, quanto amadorismo! Olha lá a turista dando uma de bacana!” Recusaram, riram da minha cara e ainda re-afirmaram a posição e motivo pelo qual estariam ali: cerveja ou/e maconha. Dá pra acreditar? Eu não sabia, mas California é o único estado dos EUA, onde não é ilegal o uso da maconha, desde que seja para o uso medicinal (e eles vendem a ‘carteirinha’ com a permissão de algum médico em qualquer esquina). Em várias ocasiões, também encontrei pessoas com um alto nível de dificuldade visual, me parando na rua para me comparar com uma tal de Kim Kardashian, que fui obrigada a consultar o Google para saber quem era (E para quem não sabe, Kim é a da foto, ou seja, nada a ver! comigo. Sério!), ou para dizer que a beleza brasileira é muito exótica, etc. Vai saber… Esses americanos!

Enfim, todo dia é uma rotina diferente, um lugar novo para conhecer, um caminho a ser explorado. O bacana de ser nova em uma cidade cheia de artistas é que sempre tem algum evento super exclusivo acontecendo, seja durante a Noite de Abertura de algum espetáculo, ou as centenas de peças de teatro rolando na cidade, os Oscares, os Grammys, algum set de gravação sendo ocupado por três ou quatro estrelas de cinema, e um número incontável de audições em Downtown Hollywood.

Ainda não conheci muita gente, porque nas minhas aulas de Interpretação e Improvisação, no Theatre of Arts, tem quatro alunos, que (quase) nunca aparecem. Como sou a única aluna freqüentemente presente, tenho feito aulas (quase) particulares. Um dos meus objetivos principais, neste curso, era justamente criar o maior número de contatos possíveis e trocar experiências, além de aprender novas técnicas de Atuação. Por um lado, essas aulas são interessantes, porque se tornam exclusivas, mas por outro lado, eu adoraria ter alguém que estivesse sempre ali, – além do professor, para acompanhar as aulas e trocar idéias. Já aprendi algumas teorias diferentes, das quais nunca tinha ouvido falar, debatemos sobre alguns estudiosos e suas pesquisas teatrais. O professor pode ser bastante subjetivo em algumas aulas, portanto tenho que anotar tudo e fazer minhas pesquisas individuais, sempre.

Como eu disse antes, artistas não faltam na cidade. É claro que existe o buraco negro de todo mercado de trabalho. E vocês bem sabem que tudo relacionado à arte pode ser até três vezes mais complicado do que qualquer outro ramo, principalmente quando se trata de emprego. No entanto, “quem tá na chuva, é pra se molhar”. Em LA, o contraste entre o sucesso e o desespero dos atores/artistas é grande. A ansiedade dos atores por entregar seus curriculums e fotos à estranhos, só porque sugerem um ar de quem possuem um script em mãos, ou o esperançoso e jovem ator tornando-se hipócrita, infeliz e velho, que pode ter até feito algum filme pornô, ou talvez dois, para ganhar $10 ou um pouco mais, são cenas típicas do centrão da cidade… É a verdadeira realidade clichê da Cidade que deveria ser dos Anjos, ou talvez nem tanto. Na verdade, acredito que este é o medo de todo novato do meio artístico (ou quem sabe, seja apenas o meu medo). Quando você se envolve com alguma coisa com a qual você sempre sonhou e começa a se concentrar apenas naquilo, se não se cuidar, você pode se machucar, e muito. Todavia, sempre procuro pensar no lado bom das coisas e deixo que as coisas aconteçam naturalmente. Apesar de tudo aquilo que insiste em nos destruir, ainda somos capazes de erguer a cabeça e seguir acreditando piamente em tudo o que sabemos que podemos conseguir. O ser humano não é incrível?

Difícil é. Mas quem é que começa num estágio como CEO de uma empresa, ou ganha o papel principal na primeira audição? Ninguém, ou talvez uma quantidade insignificativa de pessoas “excepcionais”. Viver de teatro é complicado, mesmo. Mas descobri que se eu juntar todas os pedacinhos que envolvem a Interpretação, através de peças, comerciais, televisão, filmes, e o que mais eu puder fazer que possa acrescentar meu leque de experiências, como meio de sobrevivência, é o suficiente para mim. Simplesmente pelo fato de fazer algo que realmente é um desafio e me traz uma adrenalina inexplicável, já fico satisfeita. Mas é claro que isso não quer dizer, que já não planejei meu discurso para o Oscar ou meus planos de decoração para minha mansão em Beverly Hills. Acho que todos têm o direito de sonhar, certo? Até porque, que diabos eu estaria fazendo nessa impossível missão artística?