DIA INTERNACIONAL DO TEATRO, 27 de março!

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O que dizer? Sem ele, não dá. Ah, essa arte que insiste em me rodear. Uma forte dose romântica num pedaço de poesia, baseado num conflito deleitável. Toda arte em um suspiro. A adrenalina de entrar num palco tomando conta de outros corpos, outras mentes, outras roupas. Respiração afetada. Momento sui generis!!! Coração saindo pela boca. Domínio de um par de idéias sublimes, selecionadas a dedo com muita cautela.

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Sinto falta do suor na pele, percorrendo mais especificamente as minhas mãos, por um medo imaturo que me guiava à pré-concepção de uma quimérica tragédia antecipada da minha auto-exposição. Era, e jamais deixou de ser a principal motivação dessa insigne paixão: o desafio do happening. Mergulhar de cabeça em palavras, direções, idéias, concepções, objetivos… Ah, eu não troco, não! Improvisar duas ou três situações inesperadas, se lambuzar em doces momentos de conexão com os meus caros companheiros de cena e todos os outros objetos ao meu redor, e ainda ter que segurar uma platéia rotativa, não é um trabalho simples. Contamos sempre com a sorte do bom humor de cada um, do clima lá fora, da atmosfera aqui dentro, das expectativas do garoto loiro sentado lá no canto, em peleja com as da moça ruiva aqui à esquerda. Expectativas essas que emanam mesmo em pensamento e na maioria das vezes, ambos se equivocam. Alguns se decepcionam, outros surpreendem-se. Como espectadora, aprendi a entrar num espetáculo sem pré-julgamentos. Aprendi também a enviar energias positivas aos atores, sabendo das dificuldades que enfrentamos nessa esplêndida jornada artística. Eles certamente correspondem às minhas manifestações, – eu sinto no peito a satisfação da gratidão. De fato, poucos são os que persistem nesse caminho que judia sem querer. Certamente a desistência não é decorrência da insuficiência de paixão pelo teatro, mas pela falta de oportunidades, falta de público, apreciação, e principalmente apoio financeiro. Me dá nojo ao preconceito sujo e repugnante que surge nas franzidas testas de espanto e nos olhos repelentes daqueles, através dos quais, confessamos o orgulho da nossa tão amada profissão.

Peço pouco, mas peço de joelhos ao chão. Nossa causa é tão integral e absoluta: Reflita… e VÁ AO TEATRO! Só isso! Não deixe essa arte tão bela tornar-se extinta! Leve seus filhos ao teatro, seus amigos, seus parentes. Se interesse pela importância da nossa história, dessa criatividade que permeia a sociedade e cada indivíduo em que nela vive. Que nasça um novo teatro para cada coração que ousar palpitar. De onde viemos e em que mundo vivemos hoje? Está tudo lá, na história do teatro, dos humildes atores que viraram ‘monstros’ consagrados ao longo da evolução. Eles, que contaram e ainda contam a história das nossas vidas. Esse círculo vicioso embaraçado numa piscina de emoções e sentimentos que ainda não compreendemos. Nós, seres pensantes, donos de um conhecimento tão vasto e ao mesmo tempo tão ínfimo, devemos perceber a incumbência da emoção e a consciência da nossa própria psicologia. A desenvoltura da improvisação, da linguagem corporal e a habilidade de se conectar com as pessoas ao nosso redor vale ouro, ainda mais nos dias de hoje. Não pode ser tão complicado assim. Ou talvez essa dificuldade seja a beleza de se apaixonar pela oportunidade de criar outros olhos, sentir outras pessoas, visualizar outras perspectivas, correr de si mesmo, gritar para o vazio e assumir nossas loucuras.

Hoje, num dia tão especial – e não apenas hoje, quero celebrar a longa vida do teatro, da performance, dos atores e de todas as pessoas envolvidas nessa homérica comédia! Desejo que o teatro seja parte infinita da minha alma, e que seja parte da vida das pessoas que me rodeiam. Que o amor pela arte da interpretação não morra jamais. Que o teatro seja acessível sempre, a todos, sem exceção. Obrigada por me fazer tão feliz! Sou grata, com todas as palavras que existem para expressar tão fascinante orgulho pelo teatro e pela escolha que fiz ao determinar minha carreira.

 

Parabéns TEATRO (pela sua existência)!

 

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Projeto Artístico 2013.

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Graças à Lua, ao Universo, à Deus e meus aliados, os eventos ocorridos nos últimos meses, tem conspirado ao meu favor. Antes de mais nada, peço aos meus queridos leitores bastante paciência, pois nem sempre tenho palavras de sabedoria para iluminar vossos dias. Hoje, resolvi escrever porque fiquei com saudades e acho que tenho algo bom para compartilhar.

Não pretendo contar detalhes do que se passou durante o período em que estive ausente neste humilde espaço onde revelo os meus segredos e desaforos. Talvez alguns pontos interessantes para a compreensão dos sentimentos em questão… Meus pais estiveram aqui comigo, passamos momentos únicos, viajamos pela California, mudei de casa novamente. Eles se foram e levaram um pedacinho de mim. De repente, senti parar no tempo. Ou melhor, o tempo tão veloz não permitia meu corpo alcançar o presente – se é que existe algum sentido nisso tudo, é o que eu pensava em meio a confusão da minha mente. Há alguns meses atrás, minha vida, de cabeça para baixo, pôs-se a chorar desolada. Como podem ter imaginado nos melancólicos e desgostosos versos do artigo anterior, certo dia me tocou o desespero. Sem trabalho, me sentindo só, sem estudar direito, sem tempo pra pensar em coisas boas, com medo do viver, pensando que tudo evolui pra todo mundo, menos pra mim… Aquela deprê toda! Para a Lua então, resolvi pedir ajuda. Resulta que, desde que comecei com essa loucura boa, tudo o que eu peço tem ocorrido exatamente do jeito que imagino.

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Além da Lua, manifestei O Segredo e outras intenções. Acho que a sofreguidão faz isso mesmo, deixa a gente meio ‘lelé’. Pode parecer místico, e talvez deveras metafísico, mas pra mim tem funcionado direitinho. Os resultados foram extremamente explícitos. Sem me gabar, mas o desejo de transparecer uma realidade antes irreal, quero aqui compartilhar alguns dos eventos ocorridos: Em uma breve semana (talvez a melhor semana em LA até agora): GANHEI um carro que anda direitinho pela Cidade dos Anjos, CONSEGUI um trabalho que estou adorando. CONHECI gente maravilhosa, tenho EXPLORADO a cidade mais do que pedi e fui chamada para AUDIÇÕES que um dia sonhei (e continuo sonhando). Ou seja, tá tudo encaminhado, ado-a-a-do, está tudo encami-nhado! Com os meus “baby steps” tudo vai acontecendo aos pouquinhos. Eu sei que sim. Talvez essa tenha sido a motivação pra “voltar a” escrever.

Continuando a falar de coisas boas, compartilho em seguida alguns dos meus devaneios intelectuais, ou ao menos o desejo de ter algum.

Gostaria de expor aqui o meu PROJETO ARTÍSTICO 2013 para concluir até o final do ano. Se possível, adoraria poder contar com outras pessoas que resolvessem fazer o mesmo ou dar dicas valiosas que acrescentem. Perguntas serão super bem-vindas, comentários e desejos de aprender [sempre].

Aqui vai…

  1. Assistir alguns vídeos criativos que me tragam inspiração e curiosidade. (YouTube, Vimeo, Google…). Refletir o porquê me atrai aquele tipo de assunto, performance, dança, filosofia, etc.
  2. Compartilhar em rede social ou talvez com amigos específicos que possam ter os mesmos interesses, enviar uma playlist, vídeos favoritos, comentários, blogs ou qualquer tipo de arte-inspiração que me provoque.
  3. Ler artigos, livros, jornais, blogs, websites que tenham a ver com o assunto em questão.
  4. Escolher um, dois ou três artistas, teóricos, pensadores, que me movem. Através de biografias, documentários, filmes, livros, etc, aprender sobre a vida deles, suas idéias e influências.
  5. CRIAR UMA OBRA ORIGINAL. Escrever minhas intenções num caderno, me perguntando o motivo para criar algo desse tipo, para quem vou criar, que tipo de discurso ou pessoas essa obra vai contemplar e como vou organizar esse projeto para que tenha o efeito correto.
  6. Dar vida ao projeto. Participar de eventos que julguem ou acrescentem informações necessárias para a evolução da proposta. Pedir auxílio a professores, profissionais e pessoas que possam me ajudar a transformar o papel em realidade.

Eu já tenho algumas idéias e adoraria poder ouvir diferentes concepções, ideologias, convicções e princípios rumo à criação de um projeto original. Algo pra chamar de meu, ou teu! Talvez um dia, NOSSO.

                        – Boa sorte para nós, seres humanos, criadores de coisas e pensamentos nada originais, ou talvez um pouquinho só, de vez em quando!

O Predicado do meu Processo.

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Caí na tentação 
Atropelei os conselhos alheios
Fingi que estava tudo bem
Pulei o muro sem receio
 
Senti o mundo pesar
A mirada ao chão caiu
Com feridas no calcanhar
Meu orgulho se feriu
 
Antes tarde do que nunca
A humildade bate à porta
Sem saber volto a chorar
O coração sente a revolta
 
Eles sabem do que falo
E no entanto me consolam
Sem julgar ou bater pernas
Eles sempre me confortam
 
Não sei mesmo se percebem
O quanto eu os amo
Por acreditar no meu futuro
E partilhar de todo meu reclamo
 
Agora aqui, longe de tudo
Peço misérias ao universo
Meu escudo ficou mudo
Minha alma ao inverso
 
Tendo em mente os meus erros
Sei que a fé é companheira
Por debaixo dos escombros
Ainda existe uma maneira
 
Criar luz é o que me resta
Nessa longa caminhada
Sinto logo o suor na testa
Me dá arrepios na madrugada.
 
Não sei bem aonde vou chegar
Só sei que vale a pena tentar
Não me preocupo com o resultado
O processo é o meu predicado.
 
– Wayra Schreiber
 
NOTA-SE QUE: Através dos meus versinhos, deixo aos leitores a breve interpretação do desafogo que expresso no meu peito. Sinto pela ausência, demora, atraso e etcetera. Mas sempre há uma luz no fim do túnel (que ainda está por chegar)! Entro sempre no blog, mas a coragem da escrita me foge a cada dia. Um beijo no coração de um por um. Até breve!
 
 

Chekhov Barre e Academia

Há meses não voltava para o meu grupo de pesquisa ‘Chekhov Barre’. Ontem, já que tudo recomeça desde então, fui dar uma bisbilhotada para ver como as coisas andavam por ali. Cheguei uma hora antes para contar as novidades e ouvir outras. Levei amêndoas, damascos e frutas frescas. Não lembrava o quanto eu sou apaixonada pelo Michael Chekhov. É um assunto que não tem fim pra mim. O melhor de tudo, é ter pessoas que compartilham as mesmas idéias.

chekhov barre

Sinceramente, acho que cada pessoa deveria montar seu próprio grupo de interesses. Sei lá, minha mãe, por exemplo, tem quase uma dezena de grupos totalmente diferentes. São as corujas que fazem jantares, são donas de casa e cuidam muito bem dos seus filhotinhos. Além das super palhaças, que se reunem para contar histórias, fofocas e piadas. Também tem as dondocas do chá que contam sobre suas viagens, compras, e esboçam, por vezes, uma realidade fora do comum. O meu pai se encontra com os amigos para andar a cavalo, outras vezes para tomar vinho, e também para discutir livros. É fascinante! Até a minha tia-avó Monita, de 85 anos reúne suas amigas uma vez por mês, para rir e lembrar que vale a pena viver rodeada de eternas amizades.

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Não importa se é um grupo com finalidade intelectual, ou simplesmente para trocar receitas e risadas. O importante é que esse grupo, que no meu caso é voltado para a pesquisa, me faz sentir em casa. Percebo que ter amigos com quem eu posso contar é um dos fatores mais importantes para manter-me forte e segura num país longe do meu!

Depois de tanta conversa ontem, sobre os mais variados assuntos, mas principalmente Arte, fizemos a “barra”. Este são exercícios psico-físicos voltados para a interpretação e concentração. Apuramos a imaginação e focamos nas emoções de um personagem. Introduzido pelo professor David Zinder, com quem tive a honra de ter aulas, levei um exercício bastante abstrato. O resultado não poderia ter sido melhor. Criamos personagens a partir de figuras geométricas e uma mistura de cores imaginárias. Correram lágrimas e sensações de surpresa. Além do “meu” exercício, fizemos outros de respiração e absorção de energia. Sem esquecer, é claro, da “barra” fixa, que repetimos todos os encontros. Foi realmente tu-di-bom!

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Antes de ontem comecei também a academia, já que fazia tempo que não pisava numa. Quarta-feira, bem feliz, fiz uma aula de Zumba (febre aeróbica nos EUA). Até aí tudo bem, fiquei cansadinha e tal, mas nada sério. Logo em seguida, quando tentei me inscrever para as aulas de Bike indoor, as vagas haviam se esgotado. Procurei saber se havia algo mais para acrescentar minha atividade física naquele momento, já pra não perder o pique. Encontrei na programação uma aula chamada “Total Body Workout”, ou seja, um “treino total do corpo”. Já que eu tinha me “aquecido” com a Zumba, achei que não podia dar nada de errado e me inscrevi.

PRA QUE????? Bom, pra começar, eu nunca vi uma mulher tão dedicada às flexões (sem joelho no chão) como a professora que passou o treino. Minhas costas, abdome e braços estão anestesiados até hoje. Imaginem como doeu fazer os exercícios do Chekhov?! Afinal, hoje fiz Yoga Kundalini e posso até dizer que me deu um alívio nas partes superiores. Mas… Se eu volto para o Total Body Workout? Acho difícil…

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Depois da Yoga, fiz Bike Indoor e Zumba. Ou seja, corpo anestesiado pelo resto da semana que vem ou até um pouco depois! Bah… Recuperação.

O começo do recomeço.

Voltei com tudo. Não me refiro ao blog, mas ao bairro que me recebeu de braços abertos quando aqui cheguei. Confesso que outras vezes não me acomodou tão bem assim. De raiva o deixei pela forte preocupação com o meu bolso. Vagas de trabalho são precárias para estrangeiros. Com razão? Talvez pela lei, mas não pela falta de vontade. Fui morar pra lá de Hollywood. O canto de lá me deixou preguiçosa e despreocupada com o futuro. Debruçada sob a varanda do prédio novo, certo dia percebi que havia começado a viver como madame. As cifras no banco diminuiram violentamente. Não que algum dia tivesse tido muita coisa, mas quando previ um xeque-mate, caí fora. Voltei então a abraçar novamente a oportunidade que me foi dada com carinho, para assim recomeçar a elevar os calcanhares a fim de dar um triplo pulo artístico, já que os primeiros foram acumulando.

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Em um bairro chamado North Hollywood, vulgo NoHo Arts District, perambulo pelos becos em busca de um ofício qualquer que me acrescente notas verdes com branco. Num processo anterior a esse, deixei o nobre namorado no passado. O fiz porque partiu meu coração, afogou minha paixão, destruiu as minhas idéias e um tanto mais em etcetera. Embora tivesse tido bons momentos enquanto a convivência durou, os pontos negativos fizeram-se muito mais notáveis do que os positivos. Nunca entendia, quando diziam que ao namorar, algumas pessoas simplesmente deixam de ter amigos, deixam de fazer coisas e vivem para o ser amado. Achava e ainda acho ridículo. Mas um sentimento cegou minha vista e os dias passaram. O ciúme cresceu e o tomou. De repente me vi isolada, com poucos amigos e triste num canto. A felicidade, naquele momento, era ter um alguém pra dar carinho e também o vice-versa. Entre tantos outros fatos sobre tudo o que se passou, acomodei-me, assim como aconteceu para lá de Hollywood. Lá fiquei. Três longos meses que ainda lutam comigo para fugir da memória. “Fiquem aí.”, eu digo, mas poucas vezes me fazem caso.

Recomeço a viver…

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Meu aniversário em abril, junto com o meu pai, me proporcionou uma VIAGEM À (-o resto da) CALIFORNIA. Exatamente a rota da fotografia acima. Com espírito aventureiro recebi meus pais e um casal de amigos, que também já os considero da família. Conhecidos há tantos anos, também fizeram parte da complexidade dos vinte e três. Papai, mamãe, titio e titia reunidos para celebrar uma data especial. Passamos momentos incríveis, e honestamente, não acho que exista cura melhor ou conselhos mais efetivos do que os dos próprios pais. Devo aqui expor a imensa gratidão pelo apoio, segurança, afinidade, ensinamentos, amor, carinho e uma paz que entra no coração de forma tão profunda, que só eles para tal. Foram, como o número do meu ano novo, 23 dias juntos e inesquecíveis. Um dia para cada ano. Não pretendo listar todas as cidades que visitamos, mas posso garantir que foram muitas, e muitas, e muitas. Desde Los Angeles, San Diego, San Francisco, Napa Valley, Lake Tahoe até acabar em Las Vegas. E claro, as pequenas cidades entre uma e outra acomodação. Nessa brincadeira, tive a oportunidade de ver as florestas mais lindas agora vistas pelas minhas humildes pupilas. Me emocionei quando vi árvores de um tamanho e idade descomunais. Daquele tipo, que vinte homens abraçando-a, talvez, mas só talvez, consigam dar as mãos ao final do círculo. Espetacular! Entre tantas outras atrações, vimos cassinos, cachoeiras, florestas, motéis, pontos turísticos, oceano pacifico, praias virgens, montanhas, vinhos, aves, pessoas, e muuuuuuita estrada. E é claro, após tanta beleza, o fim resolveu aparecer e arrancou lágrimas das saudades antecipadas. Na memória ficará. Boa viagem desejei e o carro deu partida, com os meus velhinhos dentro, rumo ao aeroporto.

goodbye

[…] S-o-l-i-d-ã-o de um “sabe-se lá?” qual será a próxima vez…

De volta à realidade, ou melhor, Los Angeles. Não, frase contraditória. Melhor: Voltando àquele bairro que lhes contei, fiz a lista das tarefas da semana. Ao invés de riscar: Ser bondosa com os velhinhos, ajudar as crianças, respeitar os mais velhos e por aí vai. Assim não foi. Isso já é regra. Portanto, resolvi pensar mais em mim.

Aquele clube de atores que se reúne uma vez por semana para ler peças clássicas ou roteiros de filmes me veio à memoria enquanto completava a lista. Lembro-me bem das noites felizes que tive o prazer de acompanhá-los e, por vezes, participar de uma leitura ou outra. Pois ontem resolvi visitá-los. Após exatamente um ano que não os havia visto, pisei no teatro. Discretamente me uni à parede. Não reconheci muita gente. Os que eu conhecia serviam vinhos para os atores que pareciam bastante animados com seus roteiros na mão. Para interagir, peguei um copo e pedi que me servissem também. Assim que perguntei pelo vinho, os olhos da Meghan encontraram os meus e com emoção gritou meu nome (perfeitamente, como nunca fazem). Incrivelmente os que eu conhecia, abriram um sorrisão tão bonito que cobriu minha noite de felicidade. Disseram que sentiram saudades, me fizeram perguntas e se alegravam pela minha volta. Boquiaberta pela hospitalidade, a comédia de costumes, pra mim, virou uma palhaçada. Gargalhadas nervosas tomaram conta de mim, sem que eu percebesse a colossal emoção de estar ali. Foi ótimo!

the taming of the shrew

“A Megera Domada” de Shakespeare é uma peça que sempre escutei falar. Para não mentir, até conhecia a história, mas nunca tinha lido. Esse autor é demais mesmo. Não é a toa que a reputação do cara estourou na “mídia” dos 1500 até hoje. Mal posso esperar para chegar terça-feira que vem e participar do clube como leitora/atriz/personagem.

Digamos assim: O processo do começo de outrora é similar. Outra vez com passos de pulga. Distribuição civil de papéis demonstrando minha experiência professional, exercícios físicos para eliminar a pança que já não se esconde mais, fotografias, círculo social, e finalmente, muitas doses de esperança.

Finalmente, hoje, sendo um dia mais do que especial, 2 de maio, gostaria de compartilhar todas as palavras que são incapazes de expressar meu amor por ti. Ludinho, parabéns pelo teu aniversário! Te amo demais e torço por cada passo teu! “Irmãos para sempre é o que nós iremos ser, amigos para sempre…” Tudo de bom e de melhor a cada dia. Sucesso e conhecimento na vida: hoje e sempre.

I love you with all my heart and soul!!!

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Voltei.

Eu sei. Eu sei. Críticas à parte, por favor!

Após alguns meses e poucos dias, pude finalmente contar com um par de horas no espaço do meu tempo. Sentada no Café Audrey, exposta aos olhos do público turista, em plena Hollywood Boulevard, num frio danado de Los Angeles, tomo um Chai, que pela segunda vez, queima minha língua curiosa. Admirando as inúmeras fotografias e decorações inspiradas, por quem sou fã número UM na história do cinema: Audrey Heburn, resolvi escrever neste blog, antes que desapareça da Web pela ausência da autora.

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Pretendo, antes de mais nada, contar os principais motivos pelos quais demorei a reaparecer. E portanto, o que tem acontecido de interessante [ou não] na minha permanência / sobreviência aqui, até agora:

  • Me tornei membro do LACMA (Los Angeles County Museum of Art): Ao garantir os ingressos diários, eventos especiais, sessões de cinema Cult, acesso ao acervo permanente e transitório do museu, contar com informações culturais da cidade – durante (365 dias), – a preço de banana, num museu de tal importância, sendo que o museu está localizado há duas quadras de onde moro atualmente, dá facilmente para entender o porquê da demora em escrever, não é?

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  • Stanley Kubrick & Caravaggio: Foram as primeiras exposições que presenciei no LACMA. Como membro, sou convidada especial nos dias de abertura das exposições, podendo ver tudo antes do público. Também tive o direito de comprar os ingressos antecipadamente para a retrospectiva dos filmes do diretor contando com colaboradores especiais das filmagens. No caso do Caravaggio, posso ainda entrar na lista das aulas sobre a história do Renascentismo Italiano ou desenho/pintura renascentista. Quanto às obras de Michelangelo e outros monstros, confesso que são realmente merecidas as horas de admiração pelas pinturas.

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  • Mestrado: Estava, até mês passado convencida a correr atrás das inscrições para o Mestrado de Cinema na USC (University of Southern California) ou UCLA (University of California, Los Angeles). O motivo era que com o visto de estudante, ao invés do meu atual de turista, poderia ficar mais tempo aqui nos EUA, sem precisar voltar ao Brasil a cada 6 meses. Ainda assim não teria a permissão para trabalhar mais do que 20h semanais, mas ao menos poderia ampliar meu campo de estudo, fazer contatos, e aprender um babado de cinematografia. Mas… mudei de idéia!
  • Emprego: Pois é, finalmente encontrei um emprego, mas já me despedi sozinha. Incrível não é? Para quem estava afobadinha pra conseguir um, não permaneci nem dois meses na Mercedes-Benz de Beverly Hills, como hostess dos clientes. O emprego era simples, ganhava pouco, mas era bastante útil para cobrir minhas despesas financeiras diárias, semanais, e por pouco tempo, mensal. O motivo pelo qual me ‘desinteressei’ é que o stress era gigante. Ao invés de tirar umas horas por dia para me preocupar com a construção do meu personagem de uma peça em produção, servia cafezinho e bagel com geleinha para os clientes e suas pompas enquanto os ecaminhava para o setor necessário. Pois é, entre o trabalho e a complexidade do ofício de atriz, escolhi a segunda opção.
  • Gripe: Vá encontrar gripe que demore três semanas na Barra Velha do meu Brasil! É fato que ficar doente no inverno é batata, mas não precisava abusar da minha indisposição! Vá lá! Um dia, dois dias, uma semana estourando o limite! Mas TRÊS semanas não, né?  Só aqui mesmo.

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  • Chekhov Studio: Pois então, Marilyn Monroe = dor-de-cabeça! A peça em produção da qual comentei anteriormente, foi apresentada em Novembro do ano passado. O conteúdo foi bacana, os exercícios foram super produtivos e como todo tempo que é limitado, foi também, estressante.  Considerando o final de ano, posso afirmar com todas as palavras, que ninguém estava no seu senso comum. Eu, como melhor exemplo possível, estava cansada de servir cafezinho, fiquei sem tempo para decorar texto e peguei uma cena relativamente pequena. Com dor no bolso, tive que comprar um figurino que não estava dentro do meu orçamento e em pensamento, discordei de várias escolhas do diretor, principalmente com relação aos adereços. No final feliz deste tópico, incluo meus agradecimentos especiais e pessoais, embora nunca sejam vistos por tal,  ao Shane Black (produtor do filme Iron Man II e diretor de Iron Man III). Isso, por disponibilizar sua mansão localizada há algumas quadras do meu atual recinto, para a produção da nossa peça de teatro.

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  • Natal & Ano Novo: Se alguém ainda aceitar meus votos mais do que atrasados, desejo carinhosamente que tenham passado um Natal bem quentinho, porque aqui foi um frio danado. Também desejo que este seja como todos os outros anos da serpente. O ano da sedução, especulação e planejamento. Embora não tenha passado as datas comemorativas com a família no Brasil, me mandei para San Diego pra comemorar com a minha prima. Por lá, trocamos o virus da gripe, tosses e cobertores. Ganhei e dei presentes inesperados e muito bem recebidos. Ano Novo cansei em dobro, pois resolvi trabalhar num cassino até às 4h da matina. Não, não foi divertido. Ganhei bolha no pé, dor nas costas e levei bronca de clientes insatisfeitos com a desorganização do evento – como se tivesse sido minha culpa. Algo bom? Presença de amigos por perto, na mesma situação. Enfim… Má escolha a nossa! Devíamos ter ido pra Vegas mesmo.
  • New York Film Academy (Los Angeles): Tive o prazer de ser convidada por uma grande amiga, para trabalhar na produção de um filme independente. Como tese de “Mestrado” de uma colega pela New York Film Academy, participei não apenas como produção, mas também parte do elenco. A experiência valeu. Conheci pessoas interessantes e hoje todos se preparam para a apresentação do filme nos estúdios da Warner Bros. em Los Angeles.
  • Produções independentes: Los Angeles é o lugar pra fazer amizades, e também para perdê-las rapidamente. Espero que as grandes amizades permaneçam. Tento cultivá-las ao máximo, dentro do coração. Durante o periodo que trabalhei na Mercedes-Benz de Beverly Hills conheci a querida Sheylla. Até então, tem se mostrado o carisma personificado. Com ela, planejo projetos e trabalhos sem fim. São idéias compartilhadas, assuntos inacabáveis e sonhos intermináveis. Assim espero, conquistar um cantinho aos pouquinhos e construir uma bolha gigante de inspirações.

Depois disso tudo, espero que tenha ficado claro o motivo da minha inexistência temporária neste blog. Não prometo escrever todos os dias, ou todas as semanas, mas ao menos, minha história aqui, ficará marcada. Sim, sem sombras de dúvidas que muitos outros acontecimentos também escrevem a minha história, mas as linhas que aqui descrevo, são meros contos pessoais, um tanto significantes na minha insistência e perseverança por um mundo mais artístico.

Três semanas e uns picos de dias.

 Vivi momentos interessantes desde a minha chegada. Logo nos primeiros dias, recebi um amigo de Cuiabá e acabei numa onda de turismo. Levei-o ao Getty Museum, Pasadena, Beverly Hills, San Diego, Long Beach, entre outros. Tivemos nossos minutos de silêncio, deitados entre gramados e coqueiros pensando na amizade. Com duas amigas do coração, visitei um lugar lindo chamado ‘Palos Verdes’, onde pude ver golfinhos brincando à costa do resort Terrânea. Na volta do passeio, um escuro pôr-do-sol nos pegou de surpresa, exibindo no céu, cores jamais antes vistas pelos meus olhos. Privilégio tamanho, que emocionar-se não foi difícil.

Outro dia, conheci Suzanne, uma senhora com histórias de vida para lá de cativantes. Ao contar sobre sua louca juventude, mencionou um episódio marcante em sua vida: Foi convidada a ser uma das atrizes de Fellini. Que bela inveja! Disse que foi uma experiência muito ousada. Eu acredito! O Fellini, como sabemos, não utilizava um roteiro de cinema. Ele simplesmente reunia cores, pessoas, ritmos e cenários. Minutos antes da gravação balbuciava uma frase ou outra para seus atores, na esperança de criar um diálogo orgânico e espontâneo. Afinal, criava. Filmava, e admiravelmente cada cena se transformava numa obra-prima! É, não é a toa que o cara virou um ícone na história do cinema. Tem gente que nasce com o dom mesmo!

Tive a honra de conhecer também uma artista plástica brasileira que vive aqui em Los Angeles, a famosa Rose Lobo. Seu repertório conta com a paixão pela cultura brasileira, o folclore, e os ritmos nordestinos. Suas obras são bem originais, como quase tudo que deriva do Brasil. Ela, como pessoa, é incrível, e tem um coração enorme. Espero que possamos nos frequentar por muitos anos!

Entre festas e andanças, conheci um produtor de cinema, uns diretores, especialistas em efeitos especiais, compositores dos filmes Avatar e O Curioso Caso de Benjamin Button, enfim… Aquela coisa de sempre. Quem não conheceu esses caras em Hollywood? Eu penso que, ao conhecê-los, talvez devesse me encher de euforia, mas… ehhh…  não mais. Passaram-se meus primeiros meses de Hollywood. A verdade é que essas profissões já estão batidas. Só acho que eles se desanimam quando não tiram um “Ohh” da minha boca. Enfim, não tiro o mérito deles. Pelo contrário, parabenizo, mas estamos no centro do mundo do entretenimento. Não é a mesma coisa que chegar em Barra Velha e conhecer o Brad Pitt. Aí sim eu ia tremer. Ou melhor, mesmo aqui, conhecendo o Brad Pitt acho que eu tremeria.

Além disso tudo, ainda pude comparecer à duas das minhas aulas sobre a técnica Chekhov. Cheguei na metade do curso, mas não está sendo muito difícil me adaptar. Estamos estudando um roteiro sobre o caso de Marilyn Monroe com JF Kennedy. Adivinhem quem serei? Pois é, ela mesma. Na última aula, tivemos que criar cinco movimentos para “descrever” a relação do meu persongem com o outro. Neste caso, o outro era uma cadeira, e eu deveria me relacionar com esta. Depois acrescentamos uma frase do texto para cada movimento. Descobri que nem sempre a palavra é a melhor forma de comunicação do homem. Aliás, não descobri, apenas gosto de me surpreender com obviedades!

Salvo os dias que me ocupo com as tarefas do Chekhov, viagens, encontros, etc, ainda preciso arranjar tempo para ir em busca de outra fonte de renda. Por enquanto estou confiante que em muito breve algo aparecerá. Não vou me preocupar [ainda]. Estou tranquila e sei que minhas linhas já foram escritas em grande estilo.

O Medo da Liberdade ( – e a volta do BLOG – )

Não posso reclamar das minhas mais aproveitadas férias na Turquia, Dubai e claro, do meu formoso e incansável Brasil. Aprendemos tanto com viagens, que fechamos os olhos para a chegada do adeus de cada nação. Digo mais, minha vida É UMA VIAGEM (E que viagem!!!)

Quando foi que o mundo se tornou tão pequeno bem diante dos meus olhos – sem que eu percebesse? Enquanto um irmão vive do outro lado do globo terrestre, meus pais e irmãs se situam no sul do hemisfério onde eu me encontro. Pois aqui estou, rumo ao sonho americano [novamente]. Com relação à família, sinto que estamos tão próximos uns dos outros. Me refiro a uma conexão tão forte que anula qualquer quilômetro percorrido.

Não há dúvidas de que maravilhoso é poder escutar os corações palpitando bem pertinho, sentir a pele que guarda o mesmo sangue que o meu, poder piscar para as meninas dos olhos deles. No entanto, a globalização tornou tudo tão prático. Sim, eu sei que jamais poderão substituir a presença do ser amado, do toque e carinho. Mas também sei que poder vê-los, ouvir a respiração e prestar atenção às doces palavras de conforto através de máquinas criadas pelo homem, ameniza (e muito) a dor da saudade. Viva Jobs!

Ontem, no almoço de despedida, brindaram à segunda temporada da minha jornada. Palavras que vão além do esboço de um pensamento me fortificaram a alma. Alguém que eu quero muito bem achou engraçado o fato de que apesar de tantos destinos e incontáveis embarques de avião, é a primeira vez que dá frio na barriga. Para quem dificilmente se emociona, encheu os olhos de lágrimas e descrente de premonições, confiou-me seu sexto sentido. Talvez seja a hora de fazer as coisas acontecerem. Naquele momento, uma sombra negra cegou meus olhos, me calibrou de lágimas e senti uma presão na garganta. Tive medo e dificuldade para engolir a comida que eu mesma tinha pedido para a minha despedida. Penso que talvez seja este o “medo da liberdade”, pelo qual sonho desde criança. Parece contraditório, mas não é. Pensando bem, machuca, mas sempre, vale a pena.

Pela madrugada, arrumando as colossais malas que me acompanharam até o México, ouvi sussurros de orações e pude ver raios de luzes aleatórios preenchendo o vazio do meu quarto. Eu sei bem quem foi responsável por aquilo tudo. Olhava pra ela. Tentando esconder a dor no peito que insistia em torturar pedacinhos dos nossos corações, lentamente. Ela dobrava um vestido aqui, uma calça ali. Entre momentos de silêncio e outros de gargalhada, nos comunicávamos apenas com o olhar. Sempre foi assim, uma leitura integral uma da outra, na ausência de palavras.

Dentro daquele limitado espaço da bagagem, organizávamos tudo cuidadosamente. Tanto foi, que pouco coube. Devido ao grande volume de acessórios, tivemos que refazer tudo. Tiramos algumas roupas de dentro da mala. Recolocamos os presentes. E assim, repetidas vezes. Da última vez, ela colocou um sapato de cada vez, com muita calma. Deixou que o seu perfume penetrasse em tudo o que estivesse por perto. Com carinho, eu a imaginava com um desejo ridículo. Um desejo que, por um segundo, também foi meu: de fazê-la dobrar-se por inteiro, a fim de que coubesse entre as minhas roupas. Viesse comigo escondida, desaparecesse. Numa forma diferente, senti o tal medo novamente.

Chegamos ao aeroporto de Florianópolis em cima da hora de embarque. Embora minha mãe tenha sido rápida no gatilho, não tive tempo para libertar os habituais litros salgados da minha reserva de água natural, pela saudade antecipada. O clima chuvoso me remeteu aos dias de solidão, que ainda virão. Segurei com as duas mãos alguma coisa que achei difícil descrever. Trouxe as mãos próximo ao peito e fechei os olhos. Uma lágrima rolou, seguida de várias outras. Logo percebi que o tempo passa muito, muito depressa. Acredito ter segurado fragmentos de minutos do passado, o instante entre TUDO ou NADA.

Antes de ontem, uma garotinha catando conchinhas na praia do Costão. Ontem, uma adolescente preenchendo seus anseios com desejos e sonhos. Hoje, uma mulher, transformando esses sonhos, numa possível realidade.

Foram nove horas de São Paulo até a Cidade do México, expressamente destinadas à reflexão. Pensei na vida, nas coisas, nos momentos, nos amigos e nas oportunidades. A viagem foi tranquila até agora, sem muitos detalhes físicos. Muita filosofia e lembranças de manhãs peripatéticas da infância. Sigo alimentando a esperança de combater o lado escuro da independência. Hoje mesmo, entro em território americano. Em breve, saberemos mais detalhes das minhas experiências audaciosas pelo mundo Hollywoodiano. Bem-vindos novamente ao Blog das minhas Inspirações!

Adeus-Califórnia (temporário)!

*Escrito (e não postado) do aeroporto de Los Angeles, rumo ao Brasil.

Malas prontas. Passagem na mão. Lá vou eu em outra viagem. Desta vez o destino é meu país natal, Brasil. Deixo aqui, como gostinho do passado, um trecho do e-mail que enviei à família quando troquei as praias de Santa Catarina, pra tentar o que supostamente conquistei em Los Angeles: uma idéia de mim mesma.

[…]

Dentro do avião, sentada no estreito banco de classe econômica, exatamente ao lado da porta do banheiro, me pego pensando em todos os conselhos, momentos e orações que compartilhamos juntos durante o verão que passou. Passou correndo, voando, tão rápido que nem percebi e já estou seguindo rumo à uma nova etapa da minha carreira profissional. É incrível como cada hora da nossa vida se assemelha à uma batida no nosso peito. O pior disso tudo é que não recuperamos o tempo mal aproveitado e o relógio continua lá, dando suas infinitas voltas sem parar. Aliás, seria bom congelar no tempo. Pelo menos por alguns momentos, alguns minutos a mais. Agora só nos resta lembrar dos marshmellows na lareira, dos biscoitinhos amanteigados do papai, dos jantares fabulosos da mamãe, das piadas de humor negro em conjunto, das cavalgadas nas montanhas com o melhor senso de direção possível, dos passeios de bicicleta, dos piqueniques na praia do costão, das tardes adormecidas na Univali à espera do melhor professor do mundo, dos “pollitos” comendo pipoca ou recebendo um atendimento de primeira qualidade na cama, dos inúmeros filmes assistidos, das reuniões familiares. Enfim, lembranças que guardarei num cantinho especial, um lugar só de vocês, onde constam as minhas melhores memórias.

Penso que esta viagem não é como todas as outras. É uma decisão, que embora tenha sido planejada há anos, foi concretizada em apenas duas semanas, e espero ser para a vida toda. Talvez tenha sido melhor assim. Quando pensamos muito a respeito de alguma idéia, ficamos inteligentes demais para corer riscos e acabamos desistindo de sonhos. Por enquanto penso assim. Que venham as realizações dos vários sonhos que, um dia, sonhei.

Eu já tinha parado de chorar e relembrar o quão difícil é sentir a nostalgia da família reunida, os momentos de união, a sensível partida. Tive que escolher algum filme para ocupar minha mente, durante as nove horas de viagem que vinham pela frente. Ao olhar a seleção de filmes, me surpreendi com dois deles, que incrivelmente haviamos comentado ainda essa semana. O primeiro deles, era O último bailarino de Mao, que certamente me emocionei só pelo título, lembrando do Lud na China e da difícil jornada em busca da “liberdade”. É claro que o filme, assim como o livro, deve ter dado suporte a milhares de pessoas em busca da perseverança para a realização dos seus sonhos. A mensagem do filme é quase como o argumento permanente do pai: Quanto mais duro trabalharmos para alcançar nosso objetivo, mais rápido chegaremos onde queremos. É pra isso que vim e acredito ser esse o principal motivo da visita do Lud ao Brasil. “Um dia, se nos jogarem de cueca e calcinha na Turquia, espero não haver problema algum, porque nós vamos saber trabalhar e batalhar para poder sair de lá, ou fazer o melhor que tivermos em mente.” Afinal de contas, NO PAIN, NO GAIN, não é mesmo? Impossível deixar para trás os bons conselhos familiares.

O segundo filme também tem aquela idéia esplendorosa do sucesso de cinema americano, e passa a mesma mensagem que o primeiro. Tenho uma leve impressão de que a mãe ajudou o Oliver Stone a dirigir este filme, ou, ao menos escreveu o roteiro de Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme. Não é possível que tanta garra e muita, mas muita força na peruca tenha sido uma simples inspiração jovial, sem ter um mínimo toque de Milagritos. Era evidente o brilho no olhar ambicioso de um garoto batalhador, a começar do zero, e criar um império no mercado financeiro.

[…]

Cumpri minha missão. Seis meses em Los Angeles. Hoje, voltando para casa, me pergunto: O que eu aprendi? Talvez seja difícil colocar em palavras. Tentaria, em último caso, utilizar termos como: Auto-compreensão, espiritualidade, amizade, conhecimento, visão panorâmica da profissão, noção de dificuldade, competitividade, ambições, criatividade, inspiração, amor e partilha. Enfim, parece banal, mas não é. Tenho certeza de que poucas são as pessoas que tiveram a honra de apreciar tais experiências. Eu poderia publicar um livro descrevendo cada termo dessas minhas condições durante este período, mas confio na liberdade de expressão dos meus leitores. Acredito que ao longo desse blog, pude desabafar e contar parte do meu novo mundo americano, e portanto, dicas suficientes para entender minha situação.

É difícil explicar ao certo o que exatamente me fascina nisso tudo. É um reconhecimento muito maior do que a fama, muito melhor do que o glamour, bem mais interessante do que o luxo das estrelas de cinema. Talvez seja o sabor da tentativa, o aprendizado sem fim. Não sei, mas me interessa, MUITO.

Os planos são inúmeros. A partir daqui, só eu posso escrever a minha história. Os caminhos pelos quais estou percorrendo, possuem vertentes, das quais assumo total responsabilidade. Daqui em diante posso me titular: ‘Mestre do meu destino e capitã da minha alma’.

Cheguei, MEU BRASIL! Aguarde!

 *Dia 13 de Setembro, volto aos Estados Unidos. 

Experiência ‘Rocky Horror’!

Antes de ir à Europa, minha prima pediu que eu fosse à San Diego 5 dias antes da viagem para ajudá-la com os documentos da agência de turismo e conhecer os alunos que viajariam conosco. Adoro San Diego, adoro minha prima, adorei o presente (passagem) ofertado. Não tinha motivos para não ir.

Durante o final de semana, tiramos um tempo para descansar e curtir a vida noturna californiana. Ansiedade durante o dia, cansaço durante a noite. Quem me conhece sabe que eu não sou de negar convites para sair de casa, principalmente se for a noite. Minha condição física geralmente não interfere na vontade de sair. Eu sempre tenho disposição.

Naquele sábado, em particular, não sei porquê, estava desanimada para festa. O namorado da minha prima tinha comentado durante a tarde sobre um programa alternativo. Eu sabia que tinha a ver com cinema, mas não obtive muitos detalhes.

Após um happy hour com as amigas da minha prima, ela e o namorado me sugerem a possibilidade de acolher aquele programa mencionado à tarde. O show daria início à meia-noite. Cansada do jeito que eu estava, daria tudo para evitar sair na balada.

Compramos nossos ingressos [num cinema] e esperamos numa LONGA fila para entrar. Eu mal sabia do que se tratava, mas aceitei a proposta mesmo assim. Aliás, adoro programas culturais, principalmente quando são novidades.

Todos na fila pareciam extremamente ansiosos. Cada indivíduo com sua tribo. Entre clubbers, travestis, nerds e… [eu], posso confirmar a boa variedade de pré-conceitos que participariam do evento. Acompanhei um povo descolado que vestia diversas fantasias com um toque de sexualidade bem imponente, eu diria. Vendiam uns saquinhos fechados por $3. Eu achei melhor não questionar. Um homem gritando ao longo da fila, perguntava quem era novato na “Experiência Rocky Horror”.

Nessas alturas, por mais curiosa e impaciente que pudesse estar, fiquei com medo de confirmar. Atrás de mim se manifestou um “novato”. Vem em minha direção, o mocinho que acabara de perguntar, com um batom vermelho na mão. Além do V de “Virgem” desenhado na testa do cidadão, os amigos que levaram o “novato”, tinham o direito de escolher onde e o quê desenhar no rapaz. Comecei a rir, e fingi conhecer o processo, virei pra frente, fiquei na minha.

Quando me virei para ver o desastre que fizeram com o coitado, não pude conter a gargalhada. Me deparei com um japonês mascarado de Hello Kitty. Logo atrás dele, surge uma pessoa andrógena com traços de batom bastante obscenos situados nas proximidades da garganta, bochechas e boca. Já devem imaginar o quê. Eu achei que era mulher, mas minha prima insistiu em afirmar o contrário. Decidi então, NÃO ser ‘Virgem’ do processo. Afinal, ainda estava em condições de evitar o constrangimento coletivo.

Entramos na sala cinema, que ficou com as luzes acesas boa parte do tempo. Fomos cautelosos com a escolha das poltronas. Pipocas, saquinhos, rolos de papel higiênico e até isqueiros faziam parte dos acessórios do público. Até então, não estava entendendo muita coisa, mas tampouco busquei explicação imediata. Estava interessada no que viria pela frente.

A longa introdução do ritual começou apresentando cada membro do ‘Shadowcast’ (shadow = sombra / cast = elenco). Nunca tinha ouvido falar. O elenco investiu no figurino e tinha aproximadamente 15 pessoas envolvidas. Infelizmente não pude tirar fotografias. Logo em seguida, o público fantasiado foi ao palco para uma ‘competição’ de melhor figurino. O vencedor teve o privilégio de ser o primeiro, entre todos os outros a escolher um dos presentes (de aproximadamente R$1,99) dentro de um saco preto. Assim também ocorreu com as brincadeiras seguintes. Depois, foi a vez dos joguinhos sacanas com os ‘VIRGENS Rocky Horror’:

  1. Uma ciranda do elenco para abraçar o público novato. O elenco canta uma das músicas da trilha sonora do filme “Rocky Horror Picture Show”, enquanto rebolam e tentam enquadrar seus membros fálicos em qualquer lugar, até deixar o público sem ter pra onde ir.
  2. Os requisitados para a próxima tarefa deveriam escolher um par, integrante do elenco. Com uma banana na mão, descascada, à altura da cintura do colega, os – até então – VIRGENS deveriam ajoelhar-se e comer a banana o mais rápido possível, de preferência com menos mordidas. Que idéia!
  3. Sabem aquelas balas de gelatina, tipo minhoquinha?! Então, nos Estados Unidos tem uma que é o quádruplo do comprimento da minhoca. Em pares novamente, outro grupo de novatos toma lugar na brincadeira. Com as extremidades da gelatina na boca de cada indivíduo/par, deveriam comer a goma por inteiro, sem morder com os dentes. É claro que tivemos a cena clássica de duas mulheres se beijando loucamente no centro do palco. Querem mais? Elas estavam “fantasiadas”, ou seja, dois adesivos em forma de estrelas cobriam os mamilos e o resto vocês podem imaginar.
  4. Outra musiquinha da trilha sonora do filme para encerrar o batismo.

A partir daí explicaram um pouco mais sobre o ritual e deram início, finalmente, ao filme “ROCKY HORROR PICTURE SHOW”. Quem não viu, deveria ver. Quem nunca participou de um Shadowcast, deveria participar. Para clarear a mente daqueles que não assistiram, o filme é um clássico de 1975. O elenco conta com Susan Sarandon, Tim Curry, Barry Bostwick, Richard O’Brien, Patricia Quinn, Little Nell, etc. Dirigido por Jim Sharman, a história trata de um casal de namorados, Brad e Janet que atolam o carro, após uma chuva intensa. A única via de socorro parece ser um castelo que viram há poucos metros de onde o carro parou. Na mansão, são convidados a entrar e portanto, levados à presença do bizarro Dr. Frank N Furter, um transsexual prestes a revelar seu próximo experimento: dar vida a um jovem musculoso a fim de utilizá-lo como seu brinquedo sexual. Logo, Brad e Janet são influenciados pelo Dr. Furter e acabam traindo um ao outro, com os personagens envolvidos na história. Furter se rebela contra ambos, mas a medida que toma uma atitutde em relação ao seu descontentamento, é repreendido pela presença de visitantes do seu planeta natal, Transilvania. Estes chegam à Terra e estão decididos à cercear de sua vida os excessos sexuais.

A verdade é que o filme mais parece um pesadelo sexual, onde as vítimas que chegam ao castelo acabam participando de todos os tipos de orgias, hetero e homossexuais. O uso abundante de uma iconografia sexual bem específica é a proposta mais trash que deu certo. Considerado um dos filmes mais vistos do mundo, acompanhado por seguidores e fan clubes há mais de 20 anos, deve ter lá seus benefícios culturais. Tudo bem que tenha sido chocante na época, mas ainda tenho minhas dúvidas. Talvez tenha que ver outras vezes para arrancar uma opinião mais formada sobre o filme.

Bom, o programa cultural mal começou… Achei que depois de toda essa loucura orgiástica pré-introdutória, dariam início ao filme e eu poderia analisar com toda a cautela e atenção necessária, ATÉ surgir o Shadowcast.

Sha.dow cast = Um grupo de pessoas que interpretam cenas em frente a um telão de cinema enquanto o filme está rodando; eles essencialmente imitam o que os personagens no telão estão fazendo e dizendo; atuam. Mais frequentemente visto em exibições do filme “The Rocky Horror Picture Show”.

Literalmente um grupo de atores, fanáticos pelo filme, que possivelmente já o assistiram bem mais de 15 vezes. Enquanto o filme roda, não tem silêncio. Daqui, ouço um grito preenchendo as lacunas dos momentos de tensão, medo, pânico. De lá, um roteiro inteiramente independente, do qual todos estão familiarizados. A dancinha, tipo ‘thriller’ do MJ, conta com o público de pé, copiando os passinhos do telão. Descobri então a utilidade dos saquinhos de $3 que vendiam na entrada. DURANTE O FILME: Quando chove, o público está munido de arminhas de água para jogar nos colegas ao redor. Quando cantam uma música triste, lá está o isqueiro para acenderem coletivamente no escuro. Quando a orgia está rolando, confettis são lançados ao outro lado da sala. Não comprei o saquinho, portanto não posso ser muito mais específica. Não lembro.

Isso tudo acontece, enquanto os atores, na frente do telão, com o mesmo figurino de seus devidos personagens no filme, cenário, iluminação e efeitos especiais montam o espetáculo.

Eu ri muito. Experiência 100% válida. Talvez não seja algo tão agradável para fazer todos os dias, mas certamente um programa para levar os amigos e se divertir de verdade: Pura liberdade de expressão! Na próxima vez, já vou mais preparada. Figurino completo, roteiro aleatório de cor e salteado, músicas na ponta da língua, passinhos coreografados, [e claro, não esquecerei de levar meu colega mais VIRGEM de todos].